
Redação – Uma cena de “Vale Tudo” exibida na última terça-feira, 13, gerou uma onda de procura por atendimento na Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro. O órgão confirmou que, durante a exibição da novela no horário nobre da TV Globo, os acessos ao aplicativo oficial saltaram para 4.560 por minuto —um recorde absoluto.
No capítulo, a personagem Lucimar, vivida por Ingrid Gaigher, decide buscar na Justiça o direito à pensão alimentícia do filho, Jorginho (Rafael Fuchs), após oito anos de abandono por parte do pai, Vasco (Thiago Martins). A cena, em que ela é incentivada pela amiga Daniela (Jessica Marques), estudante de Direito, impactou diretamente o número de acessos ao aplicativo da instituição.
Em nota, o órgão explicou que esse número representa um aumento de 300% em relação à média habitual, que gira em torno de mil acessos por minuto. Também houve um crescimento expressivo no número de agendamentos via aplicativo e pesquisas pensão alimentícia.
Segundo dados fornecidos à reportagem, apenas naquele dia foram realizados 1.148 agendamentos, número 70% acima da média diária registrada em 2025. A alta foi observada justamente durante e logo após a veiculação da cena em que Lucimar acessa o aplicativo dentro da própria trama.
O defensor público-geral, Paulo Vinicius Cozzolino Abrahão, declarou ao F5 que a reação do público à cena reforça o papel social da instituição. “A ficção escancarou uma realidade muito comum no Brasil, especialmente entre mulheres em situação de vulnerabilidade. A maior parte das ações que recebemos é da área de família, com destaque para os pedidos de pensão alimentícia“, afirmou.
Segundo ele, é fundamental que produções de massa, como novelas, ajudem a divulgar instrumentos de cidadania. “A cena teve um efeito direto e positivo. Recebemos um pico de procura enquanto o episódio ainda estava no ar. Isso mostra que a informação, quando bem direcionada, pode transformar vidas. A Defensoria está sempre de portas abertas para garantir os direitos da população“, completou.
Em São Paulo, embora não exista um aplicativo específico como o da Defensoria do Rio, o atendimento também pode ser feito de forma online. Quem precisa de auxílio jurídico gratuito pode acessar o site oficial da Defensoria Pública do Estado de São Paulo (www.defensoria.sp.def.br) e seguir as orientações para agendamento e encaminhamento de casos, inclusive relacionados à pensão alimentícia.
O que é
Pensão alimentícia é o valor pago a uma pessoa para o suprimento de suas necessidades básicas de sobrevivência e manutenção. Apesar da palavra “alimentos”, o valor não se limita apenas aos recursos necessários à alimentação propriamente dita, devendo abranger, também, os custos com moradia, vestuário, educação e saúde, entre outros.
Podem receber pensão alimentícia os filhos e os ex-cônjuges e ex-companheiros de união estável. Aos filhos de pais separados ou divorciados, o pagamento da pensão alimentícia é obrigatório até atingirem a maioridade (18 anos de idade) ou, se estiverem cursando o pré-vestibular, ensino técnico ou superior e não tiverem condições financeiras para arcar com os estudos, até os 24 anos.
No caso do ex-cônjuge ou ex-companheiro, é devida a pensão alimentícia sempre que ficar comprovada a necessidade do beneficiário para os custos relativos à sua sobrevivência, bem como a possibilidade financeira de quem deverá pagar a pensão. Neste caso, o direito a receber a pensão será temporário e durará o tempo necessário para que a pessoa se desenvolva profissionalmente e reverta a condição de necessidade.
Os direitos do ex-companheiro de união estável são os mesmos do ex-cônjuge do casamento em relação ao pagamento de pensão alimentícia.
Fonte: Agência Cenarium
