
Redação – MANAUS (AM) – Manaus desperdiça cerca de 113 piscinas olímpicas de água tratada por dia. A estimativa é do Instituto Trata Brasil, que divulgou, nessa quarta-feira, 26, levantamento com base nos dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa) 2023. O estudo indica que a capital amazonense está entre as cidades com maior índice de perdas no País, cenário que impacta o abastecimento da população e pressiona o sistema de saneamento local.
A análise abrangeu as 27 capitais e os 100 maiores municípios brasileiros. Com população estimada em 2.084.560 habitantes, Manaus registrou 47,49% de perdas na distribuição e 704,92 litros desperdiçados por ligação, a cada dia. O resultado mantém a capital distante das metas estabelecidas pela Portaria nº 490/2021, que determina índices de redução como critério para o acesso a financiamentos federais no setor de saneamento.
Segundo o estudo, caso Manaus atingisse o patamar exigido pela normativa federal, o volume hoje desperdiçado seria suficiente para abastecer 719.781 pessoas. O levantamento destaca ainda que o desperdício diário equivale a 377.602 caixas d’água de 750 litros ou às 113,28 piscinas olímpicas de água tratada.

O documento destaca ainda que a capital amazonense está incluída no grupo de cidades com desempenho considerado crítico em termos de eficiência do sistema. As perdas na distribuição superam com folga a meta de 25%, definida como referência mínima de qualidade operacional, e mantêm Manaus entre os municípios com maior desperdício de água tratada. O estudo aponta ainda que as capitais com índices elevados de perda tendem a enfrentar maiores dificuldades de cobertura de abastecimento, cenário que também se aplica à capital do Amazonas.
O levantamento relembra que a Região Norte reúne municípios que concentram alguns dos piores resultados do País, o que, de acordo com o documento, reforça a necessidade de avanços estruturais nos serviços de saneamento. No conjunto das capitais brasileiras avaliadas, Manaus figura entre aquelas com maiores perdas por ligação, indicador que ultrapassa em mais de três vezes o limite considerado adequado pelo marco regulatório do setor.
Ao apresentar os resultados consolidados, o estudo afirma que o volume de água perdido nessas capitais corresponde a 2,71 bilhões de metros cúbicos ao ano, sendo que 60% desse total refere-se a perdas físicas, como vazamentos. Manaus compõe esse quadro nacional de desperdício elevado e aparece repetidamente nas tabelas como um dos municípios com maiores desafios de eficiência.
Fonte: AGÊNCIA CENARIUM
