Medo de conflitos leva eleitores de centro ao silêncio político

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Redação – Quase sete em cada dez brasileiros que se identificam politicamente como de centro evitam falar de política em aplicativos de mensagens para não causar brigas, segundo a quinta edição da pesquisa “Os vetores da comunicação política em aplicativos de mensagem: hábitos e percepções”, realizada pelo InternetLab e pela Rede Conhecimento Social. O levantamento ouviu 3.113 pessoas usuárias de WhatsApp e Telegram, em todas as regiões do País, ao longo de 2024, e analisou como o medo de conflitos influencia o comportamento político digital.

De acordo com o estudo, 69% das pessoas que se declaram de centro afirmam evitar discussões políticas em grupos para preservar relações pessoais e evitar atritos. O percentual é superior ao observado entre pessoas que se identificam como de esquerda (65%), de direita (64%) e entre aquelas sem posicionamento político declarado (63%).

“As pessoas que se identificam como de centro aparecem como as mais cautelosas na comunicação política”, explicou Heloisa Massaro, diretora do InternetLab. Segundo ela, esse grupo demonstra maior preocupação em evitar rupturas sociais e conflitos interpessoais nos ambientes digitais.

A pesquisa indica que o comportamento está associado ao auto policiamento, prática adotada por usuários que avaliam constantemente o impacto de suas falas antes de compartilhar opiniões políticas. Entre os entrevistados de centro, essa cautela aparece de forma mais acentuada, especialmente em grupos de família, trabalho e círculos sociais próximos. “O medo de gerar conflito é um fator determinante para que essas pessoas escolham o silêncio ou a observação passiva”, afirmou Massaro.

Observação silenciosa
O levantamento mostra que, embora pessoas de centro evitem se manifestar publicamente, isso não significa afastamento do debate político. Muitos relatam acompanhar conteúdos eleitorais, notícias sobre candidatos e informações políticas, mas optam por não interagir, não comentar ou não compartilhar. “Existe uma diferença clara entre acompanhar política e se posicionar publicamente sobre ela”, disse Massaro.

“Essas pessoas tendem a priorizar a manutenção das relações em detrimento da exposição de suas posições políticas”, comentou Marisa Villi, diretora da Rede Conhecimento Social, o silêncio também deve ser entendido como uma estratégia de convivência.

Segundo o levantamento, 65% dos entrevistados, de forma geral, afirmam evitar compartilhar mensagens que possam atacar valores de outras pessoas, sendo esse percentual mais elevado entre mulheres. No recorte por posicionamento político, os entrevistados de centro lideram esse comportamento. “Esses dados mostram que o debate político não desapareceu, mas foi reorganizado em espaços percebidos como mais seguros”, disse Massaro.

O relatório também aponta que usuários de centro tendem a segmentar os espaços de discussão, evitando grupos amplos e heterogêneos e preferindo ambientes mais controlados ou a manifestação indireta, como o consumo silencioso de conteúdo ou o uso de recursos menos invasivos dos aplicativos. “O silêncio não significa desinteresse, mas uma escolha estratégica diante do risco de conflito”, explicou Villi.

Fonte: AGÊNCIA CENARIUM

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