
Redação – Um estudo científico publicado na revista Nature Sustainability em 2025 alertava para os riscos de acidentes ambientais na Foz do Amazonas, caso houvesse vazamento de petróleo na região. A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade Federal do Amapá (Unifap), Universidade Estadual do Amapá (Ueap), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e parceiros internacionais, projetava que um derramamento poderia se espalhar por até 132 quilômetros em 72 horas, atingindo áreas protegidas, sistemas recifais, atividades pesqueiras e abastecimento de água.
O estudo destacou que a profundidade do poço, de 2,88 quilômetros, e as fortes correntes oceânicas da região tornariam a contenção do vazamento mais difícil do que no desastre do Golfo do México em 2010, quando o petróleo escapou a 1,5 quilômetro de profundidade e levou mais de cinco meses para ser contido.
O pesquisador Philip Fearnside, do Inpa, um dos autores do estudo, afirmou na época que “enquanto o licenciamento ambiental se concentra na capacidade da empresa petrolífera de resgatar a vida selvagem em caso de derramamento, a questão fundamental é a capacidade de tapar um vazamento, caso ele ocorra”.

O alerta do estudo ganha relevância após a Petrobras confirmar, no último domingo, 4, um vazamento de fluido de perfuração no Poço Morpho, localizado no bloco exploratório FZA-M-059, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá. A estatal informou que o fluido utilizado é biodegradável e não oferece risco ao meio ambiente, mas a ocorrência reforça os desafios apontados pelos cientistas quanto à operação em uma região ambientalmente sensível.
Vazamento
A Petrobras confirmou a ocorrência de um vazamento durante a perfuração do Poço Morpho, localizado no bloco exploratório FZA-M-059, na Margem Equatorial brasileira, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá. O vazamento levou à paralisação imediata das atividades no local. Até o momento, a estatal não informou quando os trabalhos serão retomados.
Em nota, a Petrobras informou que adotou todas as medidas de controle e notificou os órgãos competentes. Segundo a empresa, “o fluido utilizado atende aos limites de toxicidade permitidos e é biodegradável, portanto não há dano ao meio ambiente ou às pessoas”.
De acordo com a estatal, o que ocorreu foi a perda de fluido de perfuração em duas linhas auxiliares que conectam a sonda de perfuração ao poço. O fluido de perfuração é utilizado para limpar e lubrificar a broca durante a perfuração de poços de petróleo e gás, sendo composto por água, argila e produtos químicos. A substância também auxilia no controle da pressão do poço e na prevenção do colapso das paredes.
A Petrobras afirmou ainda que “não há problemas com a sonda ou com o poço, que permanecem em total condição de segurança” e que “a ocorrência também não oferece riscos à segurança da operação de perfuração”.
O Poço Morpho está localizado a cerca de 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas, em uma região considerada ambientalmente sensível, marcada pela presença de manguezais, áreas protegidas e sistemas recifais, conforme apontam estudos científicos recentes sobre a costa do Amapá.
Fonte: AGÊNCIA CENARIUM
