Nova Olinda em carnaval de luto, silêncio e omissão no encontro das águas

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Foto: reprodução/redes sociais

Redação – O feriado de carnaval no Amazonas amanheceu sob chuva intensa e um silêncio perturbador vindo das autoridades e que aumenta a aflição e angústia das famílias em Nova Olinda do Norte, a 155 quilômetros de Manaus.

Até às 8h15 desta segunda-feira (16 de fevereiro), nenhuma atualização oficial foi fornecida sobre o início da retirada da lancha Lima de Abreu XV do fundo do rio.

Apesar de essa afirmação ter sido feita à imprensa anteriormente, a ausência de balsas e guindastes na região do encontro das águas dos rios Negro e Solimões sinaliza que a retirada da embarcação e a busca por vítimas nos compartimentos internos podem não ocorrer hoje, aprofundando a agonia de quem espera por notícias de familiares.

A tragédia ganha contornos de falhas de autoridades do setor com a circulação de registros que comprovam que o primeiro socorro às vítimas foi realizado por um barco de passageiros de linha, chamados na região de barco de recreio, cerca de meia hora após o naufrágio, mais ou menos.

O fato expõe a vulnerabilidade de um dos pontos de maior tráfego fluvial do mundo, a travessia entre os portos da Ceasa e do Careiro, onde a segurança pública e a fiscalização marítima parecem ser figuras de ficção.

Vácuo de informações

A controvérsia sobre o número de desaparecidos persiste.

A confirmação do nome da advogada Ana Carla Izel por familiares, somada aos sete nomes já conhecidos de Nova Olinda do Norte, escancara a precariedade do controle de embarque.

Se a lista oficial é incerta, a lotação real e a presença de equipamentos salva-vidas também entram no campo das suposições.

Enquanto as festas de carnaval na cidade seguem canceladas em respeito às vítimas, o setor de transporte fluvial permanece operando sob os mesmos riscos.

A lancha submersa a 50 metros de profundidade, segundo o Corpo de Bombeiros, é, agora, um monumento ao descaso.

Sem movimentos práticos para o resgate da estrutura até o momento, a pergunta que ecoa entre os amazonenses é se a complexidade natural dos rios está sendo usada como escudo para a falta de investimento e prontidão das forças de segurança e socorro.

Trata-se do mesmo problema enfrentado no setor de logística, em que transportadores de cargas são vítimas frequentes de criminosos.

Fonte: BNC Amazonas

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