
Redação – O casal de pastores Callebe José da Silva e Ivanice Farias de Souza, presos na terça-feira, 24, por suspeita de envolvimento na morte da adolescente Marta Isabelle dos Santos, 16 anos, em Porto Velho (RO), eram habituados a compartilhar nas redes sociais vídeos de pregações e de quando subiam um “monte” para orar pela família de outros fieis.

Callebe e Ivanice foram presos em flagrante suspeitos de tortura com resultado morte, cárcere privado, maus-tratos e omissão de socorro contra a adolescente. Marta Isabelle foi encontrada também na terça-feira, deitada em uma cama, coberta por um lençol e utilizando fralda descartável. Laudo inicial do Instituto Médico Legal (IML) apontou desnutrição, com ossos expostos, ferimentos com larvas e marcas que indicavam que estava há dias imobilizada.
Nas redes sociais, os suspeitos se identificavam como pastora Nice e pastor Callebe, responsáveis pelo Ministério Profético Apocalipse. Em uma página do Facebook, o casal compartilhou vídeos e fotos de momentos de adoração, aniversários e até caminhadas em um local que eles identificam como “monte“.

Em um dos vídeos na página Ministério Profético Apocalipse, em 16 de fevereiro deste ano, Ivanilce aparece no meio de uma área de vegetação junto ao companheiro. Ela afirma que o local era um espaço de oração e intercessão, onde iria apresentar a Deus as causas, problemas familiares, conjugais, materiais e ministeriais dos fiéis.
“Estamos aqui e viemos aqui para apresentar a tua causa, para apresentar a tua família, para apresentar os teus problemas, para apresentar o teu ministério nas mãos do Senhor. É um local onde Deus se faz presente, em espírito e em verdade, para nos ajudar e abrir portas, solucionar o seu problema, tanto conjugal, quanto material, quanto familiar. E eu vou estar aqui apresentando a sua causa, entendeu? Para o nosso Senhor Jesus, para que Ele venha abençoar a tua vida diferente, abençoar a tua família, abençoar o teu trabalho, abençoar os teus projetos“, declara ela no vídeo.
Em outra gravação, a pastora alerta ao tratar o celular como um instrumento que, se mal utilizado, pode afastar os fiéis da vida espiritual e até levá-los, segundo sua visão, à “condenação eterna”. Ela defende que o uso do aparelho seja controlado, com horários definidos e finalidade religiosa, orientando que as redes sociais sejam utilizadas prioritariamente para evangelização e para “abençoar” outras pessoas.
“Celular tem que ter hora, tem que ter horário pra usar e tem que saber de que forma vai ser usado. Muito cuidado com esse aparelho, porque ele tá levando muita gente à condenação eterna. Apenas a partir de hoje usar ele pra abençoar a vida de outras pessoas, amém? Apenas usar o celular pra que você possa chegar em outras pessoas, através do Facebook e através da rede social em geral. Use ele pra abençoar a vida de outras pessoas, porque ele se torna uma perdição“, afirma, no início do vídeo.
Em uma foto compartilhada também no dia 16 de fevereiro, Marta Isabelle aparece sentada ao lado do pai Callebe, vestindo uma blusa de manga longa de cor azul, uma calça da mesma cor e sapatos pretos. Ela usa cabelos curtos. Não é possível afirmar quando o registro foi feito.

Prisão
Na quinta-feira, 26, a Justiça de Rondônia converteu a prisão dos suspeitos para preventiva após passaram por audiência de custódia. Além da madrasta e do pai de Marta Isabelle, a avó dela, Benedita Maria da Silva, também foi presa após a polícia identificar contradições nos relatos da suspeita que estava na residência e não acionou socorro.


A madrasta, Ivanice Farias, conhecida como pastora Nice, afirmou à Polícia Militar (PM) que a adolescente apareceu na residência no dia anterior, debilitada e com ferimentos no corpo. O pai, pastor Callebe, confessou que mantinha a filha amarrada com fios elétricos todas às noites e que ela ficava trancada no local durante o dia.
Vizinhos relataram que Marta sofria maus-tratos constantes e que o casal cortava o cabelo da adolescente como forma de punição. Não há informações, até o momento, sobre o que motivou o crime.

A polícia encontrou roupas e fraldas da vítima parcialmente queimadas em uma fogueira ao lado da residência onde ela foi localizada. De acordo com a PM-RO, a suspeita é de tentativa de ocultação de provas. A Polícia Civil de Rondônia (PC-RO) segue com as investigações para esclarecer o caso.
Fonte: AGÊNCIA CENARIUM
