Ataque contra agentes do Ibama no AM tem tiros e viatura incendiada

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Foto: Fiscais foram surpreendidos por cerca de trinta pessoas, que agrediram os servidores e efetuaram disparos de arma de fogo (Vinícius Mendonça/Ibama)

Redação – Uma equipe de cinco agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) foi alvo de uma emboscada durante uma operação de fiscalização contra a exploração ilegal de madeira no município de Manicoré, no sul do Amazonas. O ataque ocorreu no sábado, 15, quando os servidores realizavam atividades de combate ao desmatamento em ramais clandestinos dentro da Terra Indígena Tenharim-Marmelos.

De acordo com o Ibama, os fiscais foram surpreendidos por cerca de trinta pessoas, que agrediram os servidores e efetuaram disparos de arma de fogo. “Durante a ação, os agentes foram surpreendidos por um grupo criminoso que realizou agressões e disparos, obrigando a equipe a buscar abrigo na floresta para preservar a própria integridade física”, informou o órgão, em nota.

A equipe conseguiu se refugiar na mata e ninguém ficou ferido, mas o veículo utilizado na operação foi incendiado pelos agressores. O episódio foi comunicado à Polícia Federal (PF), onde foi registrado o boletim de ocorrência, e parte dos envolvidos já foi identificada.

Foto: Agentes do Ibama durante operações de fiscalização na Amazônia (Reprodução/Ibama)

Segundo o Ibama, as investigações estão em andamento para responsabilizar os autores do ataque. O instituto afirmou que ataques contra servidores públicos durante o exercício da função são considerados graves e serão apurados pelas autoridades competentes.

Operação contra exploração ilegal
A fiscalização ocorria em uma área que tem sido alvo recorrente de invasões e retirada ilegal de madeira. A Terra Indígena Tenharim-Marmelos vem registrando atividades clandestinas associadas à abertura de ramais e à exploração de recursos florestais.

O Ibama informou que a fiscalização também identificou indícios de que parte da madeira retirada ilegalmente da área indígena é transportada e comercializada na região da Vila Santo Antônio do Matupi, localizada no quilômetro 180 da rodovia Transamazônica.

A exploração ilegal de madeira segue sendo apontada como um dos principais vetores de degradação ambiental na Amazônia. “Estimativas indicam que, no Estado do Amazonas, mais de 60% da exploração de madeira apresenta indícios de ilegalidade”, informou o instituto.

Segundo o órgão ambiental, grande parte da madeira retirada de unidades de conservação e terras indígenas acaba sendo inserida no mercado formal por meio de planos de manejo florestal fraudados, mecanismo conhecido no setor como “esquentamento” da madeira.

Repercussão entre servidores ambientais
O ataque provocou reação de entidades que representam servidores da área ambiental. A Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente (Ascema Nacional) divulgou nota classificando o episódio como grave e manifestando solidariedade à equipe.

Para a associação, o episódio evidencia os riscos enfrentados por servidores que atuam em operações de campo. “O episódio revela, mais uma vez, os riscos enfrentados diariamente por servidores públicos que atuam na linha de frente da proteção ambiental no Brasil”, declarou a Ascema.

A entidade também destacou que operações em regiões com presença de organizações criminosas exigem condições de segurança mais robustas para os fiscais ambientais. Em nota, a associação lembrou que encaminhou ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), em abril de 2025, uma nota técnica solicitando a implementação da Gratificação de Atividade de Risco (GAR) para servidores da carreira ambiental.

Segundo a Ascema, o documento apontava que a atuação desses profissionais envolve inspeções em áreas de exploração ilegal de madeira, garimpo clandestino e pesca predatória, além da participação em operações conjuntas com forças policiais em regiões de conflito.

A associação também declarou que a proposta enviada ao governo federal tratava da complexidade das atribuições da carreira, incluindo ações em áreas de fronteira, territórios sob influência de facções criminosas e locais com presença de grupos armados.

Investigações e responsabilização
O Ibama afirmou que seguirá atuando em articulação com órgãos de segurança pública para coibir a exploração ilegal de recursos naturais na região. O instituto também lembrou que atos de violência contra operações de fiscalização ambiental já resultaram em condenações judiciais. O órgão citou decisão recente da Justiça que condenou cinco pessoas pela destruição de uma aeronave do Ibama ocorrida em Manaus em 2021.

“Ataques a agentes públicos no exercício de suas funções são inaceitáveis e serão rigorosamente apurados pelas autoridades competentes”, afirmou. Enquanto as investigações avançam, o caso reforça o cenário de conflito em áreas de exploração ilegal de recursos naturais na Amazônia, onde operações de fiscalização frequentemente ocorrem em regiões com presença de atividades criminosas.

Fonte: AGÊNCIA CENARIUM

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