Campanha pede fim do uso pejorativo da palavra Autismo

Campanha pede fim do uso pejorativo da palavra Autismo

O autismo é um transtorno do desenvolvimento que compromete áreas como a linguagem, processos de comunicação, interação e comportamento social da criança. De acordo com dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde, uma em cada 160 pessoas está no espectro. Número bastante significativo, principalmente no Brasil, onde a estimativa é de que pelo menos dois milhões de habitantes possuam diagnóstico de autismo.

Ainda assim, o tema é pouco abordado pela mídia. A situação preocupa, uma vez que o desconhecimento leva ao mau uso do termo autismo. Por vezes, a palavra é proferida como sinônimo de retardo mental, preguiça ou mesmo com intenção de ofender outra pessoa.

Campanha: Autismo não é Adjetivo

“Pessoas começaram a usar o termo autismo para se referir, geralmente, à algum tipo de alienação, pessoas fora do contexto, ou mesmo à preguiça”, explica Ana Maria Elias Braga, uma das líderes do movimento Autismo não é Adjetivo.

Mãe dos gêmeos Rafael e Renato, ambos diagnosticados com autismo, Ana é uma das militantes da causa. Ela conta que, desde o início destas manifestações negativas, mães e familiares de pessoas dentro do espectro autista procuravam esclarecer o assunto. “Nós bombardeávamos as páginas destas pessoas, e elas simplesmente liam e pediam desculpas. O que acabava não adiantando porque, logo depois, surgia mais alguém fazendo o mesmo”, acrescenta.

Surgiu, então, a ideia de criar uma campanha voltada para o tema. A intenção era simples: artistas apareceriam, em vídeo, explicando a definição de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e pedindo que outras pessoas não usassem o termo de forma pejorativa.

“Percebemos que, quando situações assim ocorriam, isso ficava muito preso em nós, mães e pais de autistas. E queríamos atingir pessoas leigas sobre o assunto. Pensamos que, se elas vissem artistas, pessoas que admiram, falando disso, iriam querer saber mais sobre o assunto e estudar”

Exemplos

Muitas vezes, o uso pejorativo da palavra autismo está ligado a assuntos políticos. Em 2016, logo após assumir a presidência do Supremo Tribunal Federal, a ministra Carmen Lúcia deu uma entrevista à GloboNews na qual comentou que a sociedade devia esperar empenho dos integrantes do tribunal, porque “eles não são autistas, são cidadãos e querem rapidez nos julgamentos”.

Imediatamente, ela começou a receber mensagens de famílias ofendidas com o comentário. Ana Maria foi uma delas. Em sua página do Facebook foi criado um álbum com cerca de 200 fotos de autistas sobre os dizeres “Eu sou autista e cidadão”.

Além dela, outros famosos cometeram o mesmo erro. O caso mais recente foi da atriz Antônia Fontenelle, que publicou, em seu Instagram na última segunda-feira (19), um vídeo chamando o atual prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, de autista. Apesar de ter deletado o vídeo pouco depois, ele foi amplamente comentado e compartilhado em outras redes sociais. Na tarde desta terça (20), ela voltou a falar do assunto. Desta vez, destacando os comentários que têm recebido desde então.

Para Ana, a situação ainda é preocupante, mas ela já tem visto resultados após a criação da campanha. “Tenho o maior prazer em falar que tenho dois filhos autistas. Sempre que me deparo com essas situações, eu procuro ficar calma e explicar um pouco mais sobre autismo. Porque não tenho – e nenhum pai de autista tem – problema em falar sobre o assunto, ensinar para o leigo. Queremos é uma sociedade mais inclusiva e que respeite nossos filhos”, finaliza.

Fonte e Foto: Portal da Singularidade

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