’06/12/2019’

Gamer é a profissão mais bem sucedida e segue à margem de crises econômicas

Gamer é a profissão mais bem sucedida e segue à margem de crises econômicas

Quem não conhece algum (a) adolescente que não larga um jogo eletrônico? Pois é! Atualmente, esse menino ou menina que não sai do celular ou da frente do computador, pode ter um futuro muito mais promissor que qualquer outra profissão. É que o mercado de games vem ganhando cada vez mais força no mundo todo, driblando crises econômicas e continua em plena expansão.

Para Glauco Aguiar, CEO da escola de robótica Manaós Tech for Kids, que também trabalha como programação de games, é necessário preparar as futuras gerações para essa realidade, já que muitas crianças demonstram, desde cedo, habilidades e talento nesse ramo.

“Sou de uma geração que sonhava em produzir games e isso era algo tão utópico quanto ser astronauta no Brasil. Hoje, nossos meninos e meninas têm um contato lúdico e aprendem conosco a produzir seus jogos desde os seis anos de idade. Eles percebem que, alguns conteúdos que às vezes são complexos ou chatos, podem ser ensinados de uma forma bem divertida por meio dos games”, revela o educador.

Só para ter uma ideia do tamanho desse crescente segmento, dados da Newzoo (principal agência de pesquisas do setor de games), apontam que a movimentação financeira aumentou bastante, mesmo com a crise econômica, o mercado de games saiu de US$ 1,3 bilhão em 2017 para US$ 1,5 bilhão em 2018, no Brasil. A agência estima que, para 2019, o faturamento pode a chegar a US$ 118,6 bilhões no mundo todo. A Newzoo também coloca o Brasil na liderança da América Latina e em 13º lugar no ranking global na atividade.

Crianças aprendem se divertindo

Gabriel Felipe Vasconcelos, 9 anos, aluno da Manaós Tech for Kids, conta que aprender com games é algo muito divertido e que ajuda na sua criatividade. “Eu gosto muito de desenvolver games. É muito legal! E pra mim não é difícil porque eu aprendo tudo muito rápido”, declara o pequeno prodígio que também já criou um aplicativo.

Orgulhosa, a mãe de Felipe, Silvia Cibelle de Vasconcelos, diz não ver problemas em o filho ter contato bem cedo com games e robótica. “Ele (Felipe) sempre foi uma criança muito disciplinada e com ótimas notas, seja na escola regular, no inglês ou na robótica. Ele sempre demonstrou habilidade com jogos e não vejo nada preocupante porque ele sabe equilibrar o tempo dele. No que depender de mim, com certeza ele irá seguir a profissão que ele gostar de fazer, e se for com games, não vejo problema algum”, afirma a engenheira ambiental.

Cresce o número de gamers no Brasil

O mercado de games apresenta boa fase não só para quem desenvolve os jogos eletrônicos, como também para quem joga – são os chamados gamers. Segundo dados da 29ª Pesquisa Anual de Administração e Uso de Tecnologia da Informação nas Empresas, existe mais de um smartphone ativo por habitante no Brasil e, quanto aos games, 82% dos brasileiros recorrem aos jogos no celular.

Em 2017, no Brasil, de acordo com a Pesquisa, o número de jogadores era de 66,3 milhões e, em 2018, passou para mais de 75 milhões. Para os especialistas, a expansão da indústria de games ocorre por vários motivos, principalmente, em função da entrada de novas tecnologias que se dá de forma muito dinâmica.

Especialistas avaliam que, quando o crescimento da indústria de games passa por grande movimentação, todos os setores desse mercado são impactados, desde os jogadores até os desenvolvedores.

Em Manaus, o desenvolvedor de Jogos Digitais, Moisés Abraham Assayag Neto, que se graduou pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), localizada na cidade de São Leopoldo (RS), fala que apesar dos resultados demorarem um pouco a surgir, “vale a pena investir no mercado de games”.

“Percebo que a indústria de games em Manaus está crescendo e para os jovens sonhadores é importante investir em seus objetivos. Desenvolver games é um aprendizado constante e devemos estar sempre em busca de soluções diferentes, pois o mercado de games é global e o nosso produto compete com todos os demais jogos produzidos por empresas de pequeno e médio porte”, declara o desenvolvedor.

Segundo informações dadas em 2018 pelo extinto Ministério da Cultura, uma pesquisa realizada pela empresa Homo Ludens, revela que o mercado de jogos apresentou crescimento nas cinco regiões do país entre os anos de 2013 a 2018. Já os dados do 2° Censo da Indústria Brasileira de Jogos Digitais, o número de estúdios desenvolvedores de games passou de 142 para 375 no período.

Ainda de acordo com a pesquisa, nos últimos dois anos, 1.718 jogos foram produzidos no Brasil, sendo 43% deles desenvolvidos para dispositivos móveis, 24% para computadores, 10% para plataformas de realidade virtual e aumentada e 5% para consoles. Ao todo, 874 são classificados como jogos educativos e 785 para o entretenimento.

O estudo revela ainda detalhes sobre o crescimento do mercado de games por região. De 2013 a 2018, o número de estúdios de jogos apresentou aumento em todas as regiões, com o Norte passando de duas produtoras para 10, Sudeste de 77 para 196, Nordeste de 20 para 61, Centro-Oeste de 8 para 31 e Sul de 35 para 77 estúdios de jogos.

Gamificação

Saindo do mundo virtual e fazendo uma conexão dos games com o mundo real, com a integração de ferramentas e tecnologia, os games já não são apenas uma atividade de lazer. Trata-se de um recurso que pode ser integrado a outras áreas da vida, do trabalho e da educação. Esse recurso é conhecido como gamificação e permite a adoção de várias estratégias.

É possível utilizar mecanismos famosos nos jogos, como a competição e o ganho de pontos, para transformar um processo. De maneira ainda mais completa, é viável desenvolver games específicos para certas atividades, como treinamentos de funcionários ou aulas para crianças.

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