Agressão em shopping de Manaus é comparada à morte no Carrefour: ‘Histórico de violência contra pobres e negros’, diz sociólogo

Agressão em shopping de Manaus é comparada à morte no Carrefour: ‘Histórico de violência contra pobres e negros’, diz sociólogo

MANAUS – O vídeo de uma mulher sendo arrastada por um segurança do Sumaúma Park Shopping, localizado na zona Norte da capital amazonense, viralizou nas redes sociais na noite desta terça-feira, 27, e assim como o caso de João Alberto Silveira Freitas, homem negro de 40 anos morto no Supermercado Carrefour, em Porto Alegre, no ano passado, expõe o processo histórico de violência e exclusão social contra pobres e negros.

Segundo o sociólogo Luiz Antônio, o Brasil escravizou homens, mulheres e crianças por 380 anos, com um processo escravagista que se encerrou apenas formalmente, há um pouco mais de 100 anos. “Agora veja, tudo o que a gente pode entender como sociedade brasileira, a educação, a saúde, o Judiciário, o sistema de segurança pública, a escola, tudo o que for que a gente pode imaginar, foi construída por uma sociedade escravista. Então, do ponto de vista social, a gente tem um problema de exclusão e de racismo”, explicou o especialista.

Ainda de acordo com Luiz Antônio, os seguranças particulares dos shoppings representam a mentalidade elitizada de repressão aos pobres e negros que é constantemente vista nas estruturas policiais públicas.

“Quando você vê um agente de segurança dentro de um shopping, a gente não pode perder de vista que esse sujeito, a escola de formação dele, e aí coloco entre aspas essa formação, são as empresas de segurança pública que são todas de coronéis da Polícia Militar. E qual é a mentalidade que esse coronel passa por esses agentes de portaria, esses agentes de vigilância? É a mentalidade com a qual a polícia tem atuado. É pobre, é periférico, é preto, você tem que tratar como classe perigosa” enfatizou ainda o sociólogo.

Entenda o caso

vídeo de uma agressão registrada nessa terça-feira, 27, contra uma mulher no Sumaúma Park Shopping, localizado na avenida Max Teixeira, bairro Cidade Nova, zona Norte de Manaus, está causando revolta nas redes sociais. No vídeo, é possível ver o segurança puxando uma mulher pela praça de alimentação do estabelecimento e depois a arrastando pelos dois braços, enquanto ela grita.

Uma criança, que aparenta estar acompanhando a vítima e acompanha a cena também aparece gritando. No final da gravação feita por um cliente, que também estava no local, algumas pessoas correm em direção aos dois. De acordo com a administração do estabelecimento, o segurança do local que aparece nas imagens arrastando a mulher no chão não faz mais parte do quadro de funcionários.

Veja o vídeo:

À CENARIUM, o shopping afirmou que não deverá fazer Boletim de Ocorrência (BO) sobre o caso, mas o segurança irá sofrer medidas punitivas. De acordo com nota divulgada ainda nessa terça, o estabelecimento informou que clientes estavam sendo incomodadas por uma mulher adulta, quando a mesmo foi orientada a deixar o local pela equipe de segurança, porém ela se “descontrolou” e teria agredido o segurança, chegando inclusive a cuspir no rosto do mesmo.

Relembre outros casos

Especialistas associam que os discursos de ódio proferidos pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) podem ter sido o “catalisador” do aumento de 106% em casos de discurso racistas noticiados na imprensa e nas redes sociais, entre o dia 1º de janeiro de 2019 até 6 de novembro de 2020.

Em números, os 49 casos de 2019/2020 superam a marca de 2018/2019, que fechou o período com 16 manifestações, inferiores as 33 do ano passado. O levantamento da diversas violências, manifestações e declarações racistas é feito pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e a Terra de Direito.

Assim como ele, o adolescente João Pedro Mattos, de apenas 14 anos, também foi morto em maio, durante uma operação conjunta das polícias Federal e Civil no Complexo do Salgueiro, localizado no município de São Gonçalo, no Rio de Janeiro.

No Recife, Miguel Otávio Santana, de cinco anos, filho de uma empregada doméstica, caiu do 9º andar de um prédio no bairro de São José, no centro de Recife em junho. A criança havia sido deixada com a ex-patroa da mãe, a primeira-dama da cidade de Tamandaré.


Fonte: Revista Cenarium

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