Berço da cultura negra no RJ, Pequena África precisa de investimento público para preservação

Berço da cultura negra no RJ, Pequena África precisa de investimento público para preservação
Situado na região portuária do Rio de Janeiro, o espaço abrigoui diversos quilombos após a abolição da escravatura (Reprodução/Prefeitura do Rio)

RIO DE JANEIRO – Uma Frente Parlamentar em Defesa da Pequena África, que visa proteger a região do Rio de Janeiro que guarda a história e a cultura afro-brasileira. Fortalecida por 27 parlamentares signatários, a frente criada pela vereadora carioca Thais Ferreira (Psol) começa a atuar em 25 de maio.

A frente pretende contar com a participação da sociedade civil no processo de preservação e revitalização das áreas que compõem o polo da cultura e história negra brasileira. Tia Ciata, Machado de Assis, Pixinguinha e Heitor dos Prazeres, são alguns dos nomes que fizeram parte da história da região.  Situada entre a região central e a zona portuária do Rio, a Pequena África vai do Cais do Valongo – considerado patrimônio mundial desde 2017 – e a Pedra do Sal.

 A articuladora social e rapper Sami Brasil conta que o espaço nunca contou com atuação do governo para o resgate de sua história e cultura. “O poder público nunca fez nenhum esforço para que aquele território fosse reconhecido. Todo esse movimento vem das instituições locais e da sociedade civil”, afirma. 

Frente Parlamentar criada por vereadora negra vai atuar na articulação por investimento (Reprodução/Prefeitura do Rio de Janeiro)

“O Cais do Valongo não tem sinalização e nenhum tipo de manutenção, por isso alaga direto. As cercas estão todas quebradas e o espaço não têm iluminação. É um cenário muito triste para quem entende o valor daquele lugar”, complementa a artista, que atua junto ao mandato da vereadora do Psol.

Para Thais Ferreira, a falta de investimento do governo carioca para a preservação da Pequena África decorre de uma tentativa de apagamento histórico. “É um reduto culturalmente muito rico e localizado em pleno centro da cidade. Não consigo imaginar outro motivo para justificar a dificuldade de valorizar uma zona tão importante e bem localizada na geografia econômica da cidade que não seja o racismo e a tentativa de apagar a memória africana”, argumenta a vereadora.

O significado da Pequena África 

O espaço foi redescoberto no processo de revitalização da região portuária e é responsável pela multiplicação de memórias da população negra carioca. Para Sami, que já participou de diversos eventos na Pedra do Sol, ao lado da banda Consciência Tranquila, a região traz  um sentimento de pertencimento.

O Cais do Valongo, especificamente, tem em seu significado a memória do desembarque de milhares de africanos sequestrados de seus países para mão de obra escrava no Brasil. Thais lembra que o espaço abrigou diversos quilombos após a abolição da escravatura.

“Aqui desembarcaram milhões de africanos escravizados e aqui também surgiram o samba carioca, grupos de abolicionistas e uma série de comércios e serviços de pessoas negras que ajudaram a construir nossa identidade”, conclui a parlamentar.


Fonte: Agência Cenarium

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