
Redação – Ansiedade e depressão foram as principais causas de concessão de benefícios da Previdência Social por transtornos mentais e comportamentais na Amazônia Legal em 2025. Os Estados do Pará, Mato Grosso e Maranhão concentraram o maior número de registros, somando 18.712 benefícios, segundo levantamento do sistema previdenciário, e lideraram os afastamentos motivados por esses diagnósticos na região.
Ao todo, os nove Estados que compõem a Amazônia Legal registraram 28.981 benefícios concedidos a trabalhadores afastados por algum transtorno mental. O Pará aparece na primeira posição, com 7.770 benefícios, seguido por Mato Grosso (5.556) e Maranhão (5.386). O Amazonas contabilizou 3.043 concessões, enquanto Rondônia registrou 2.102, Tocantins 1.975, Roraima 1.384 e Acre 1.186. O Amapá apresentou o menor número, com 579 benefícios concedidos.

Entre os diagnósticos que mais resultaram em concessão de benefícios por incapacidade temporária em 2025 estão as doenças classificadas no Capítulo V da Classificação Internacional de Doenças (CID-10), que engloba os transtornos mentais e comportamentais. Destacam-se os outros transtornos ansiosos, episódios depressivos, transtorno afetivo bipolar e transtorno depressivo recorrente, indicando o impacto crescente dessas condições na saúde dos trabalhadores.
Dados nacionais reforçam esse cenário. Em todo o País, os transtornos ansiosos lideraram as concessões de benefícios por incapacidade temporária em 2025, com 166.489 registros, seguidos pelos episódios depressivos, que somaram 126.608 benefícios. Na sequência aparecem o transtorno afetivo bipolar (60.904) e o transtorno depressivo recorrente (60.551), evidenciando que quadros relacionados à ansiedade e à depressão concentram a maior parte dos afastamentos do trabalho por questões de saúde mental.

A lista também inclui transtornos associados ao uso de substâncias psicoativas, como os decorrentes do uso de múltiplas drogas (25.160), álcool (12.758) e cocaína (7.627). Também figuram entre os principais diagnósticos as reações ao estresse grave e transtornos de adaptação (23.773) e a esquizofrenia (18.686), ampliando o impacto dessas doenças sobre o sistema previdenciário.
Especialistas apontam que fatores como sobrecarga de trabalho, instabilidade econômica, precarização das relações laborais e dificuldades de acesso à saúde mental contribuem para o aumento dos afastamentos. Na Amazônia Legal, desafios adicionais, como longas jornadas, isolamento geográfico e desigualdade no acesso a serviços especializados, agravam o cenário e dificultam o diagnóstico e o tratamento adequados.
No contexto nacional, o Brasil registrou 546.254 benefícios por transtornos mentais e comportamentais em 2025, um aumento de 15,66% em relação a 2024, quando foram concedidos 472.328 benefícios. Os dados revelam ainda que os afastamentos são mais frequentes entre as mulheres, que representam 63,46% do total, com 346.613 benefícios, contra 199.641 concedidos a homens.
Fonte: AGÊNCIA CENARIUM
