
Redação – A consolidação da aliança entre o presidente dos Estados Unidos (UEA), Donald Trump, e as grandes empresas de tecnologia reacendeu alertas no Brasil sobre os riscos de interferência das plataformas digitais nas eleições presidenciais de 2026. À REVISTA CENARIUM, a cientista política Andressa Michelotti apontou que o fortalecimento do poder das Big Techs, aliado ao avanço da inteligência artificial, pode dificultar o combate à desinformação e tensionar a soberania nacional.
O primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump marcou uma mudança significativa na relação entre o governo norte-americano e as grandes empresas de tecnologia. “Se o primeiro mandato foi marcado por tensões com as Big Techs, o segundo consolidou a renovação do pacto entre essas empresas e o governo norte-americano”, declarou Andressa Michelotti.
De acordo com a pesquisadora, essa aproximação começou antes mesmo do retorno de Trump à Casa Branca. “A compra do Twitter por Elon Musk, em 2022, marcou o início de uma recalibragem que se cristalizou com a vitória do republicano”, explica, citando também a mudança de políticas da Meta, anunciada por Mark Zuckerberg no início de 2025.

Segundo a análise, essa autonomia das plataformas digitais passou a contar com respaldo direto da Casa Branca. “A administração Trump compreende a hegemonia algorítmica dos Estados Unidos como um pilar de poder geopolítico inegociável”, afirma a pesquisadora, indicando que as empresas avaliam se vale mais cumprir ou desafiar regras de outros países.
Trump e as redes já atuaram na política brasileira
Em 2025, as Big Techs também foram citadas diretamente em um conflito diplomático entre Brasil e Estados Unidos. Na época, Trump impôs uma sobretaxa de 50% a produtos brasileiros, alegando a existência de “ordens de censura secretas e ilegais” contra plataformas norte-americanas no País, referindo-se aos processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Com a aproximação das eleições presidenciais de 2026, o papel das plataformas digitais volta ao centro das preocupações. “As plataformas serão novamente ferramentas para campanhas de desinformação, agora com desafios inéditos trazidos pela inteligência artificial generativa”, alerta a pesquisadora.
Nesse cenário, a relação entre o Tribunal Superior Eleitoral e as Big Techs é apontada como estratégica. “A nova composição do TSE altera o tabuleiro político”, afirma, ao citar a presidência do ministro Nunes Marques e a vice-presidência de André Mendonça, ambos indicados por Bolsonaro.
Pesquisas indicam influência das plataformas na eleição de 2022
Estudos publicados na Harvard Kennedy School Misinformation Review e no International Journal of Public Opinion Research, da Oxford Academic, apontam que as plataformas digitais tiveram papel central na circulação de desinformação durante as eleições brasileiras de 2022. As pesquisas indicam que eleitores mais expostos a conteúdos políticos em redes sociais e aplicativos de mensagens apresentaram maior propensão a acreditar em informações falsas sobre o processo eleitoral.
De acordo com os levantamentos, plataformas como WhatsApp, X (ex-Twitter) e Kwai funcionaram como canais relevantes para a disseminação dessas narrativas. Enquanto redes abertas ampliaram o alcance público dos conteúdos enganosos, aplicativos de mensagens privadas dificultaram o rastreamento e a contenção da desinformação, evidenciando limitações estruturais das plataformas durante o período eleitoral.
Fonte: AGÊNCIA CENARIUM
