
Redação – A ala “Neoconservadores em conserva”, apresentada pela escola de samba Acadêmicos de Niterói, gerou repercussão nas redes sociais ao levar para a Marquês de Sapucaí integrantes fantasiados como latas de conserva e adereços que remetiam a símbolos associados à direita política. A escola abriu os desfiles do Carnaval do Rio de Janeiro no domingo, 15.
O desfile teve como enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, em homenagem ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A apresentação abordou a trajetória do político desde a saída do Estado de Pernambuco até a chegada à Presidência do País.
Em uma das alas, os brincantes desfilaram com fantasias de latas de conserva que traziam a ilustração de um homem, uma mulher e duas crianças, com a identificação “Família em Conserva”. A representação motivou reações de usuários nas redes sociais, especialmente entre perfis ligados ao campo conservador.
Antes mesmo do encerramento do desfile, críticas começaram a circular, acompanhadas de publicações com imagens de famílias rotuladas como “tradicionais”, reproduzidas em estampas de latas de conserva como resposta ao enredo.
Entre as postagens, foram compartilhadas frases como: “Minha família em conserva com muito orgulho!”; “Eu e minha filhotinha, com muito orgulho em conserva, conservadas na graça de Deus”; “Se defender família, responsabilidade e valores é estar ‘em conserva’, então que seja”.
A repercussão se concentrou principalmente em plataformas como X (antigo Twitter) e Instagram, onde o debate se dividiu entre críticas ao desfile e manifestações em defesa da representação das chamadas pautas conservadoras.

De acordo com a escola de samba, a ala faz referência “aos chamados ‘neoconservadores’”, grupo que atua fortemente em oposição a Lula, votando contra a maioria das pautas governistas. Ao descrever a fantasia, o roteiro aponta que os componentes utilizaram adereços representando “uma lata de conserva, com uma defesa da dita família tradicional, formada exclusivamente por um homem, uma mulher e os filhos”.
Ainda segundo a descrição, nos adereços de cabeça, os componentes utilizaram elementos que representavam “grupos que levantam a bandeira do neoconservadorismo”, como referências ao agronegócio, com figuras de fazendeiros; uma mulher de classe alta, defensores da Ditadura Militar e grupos religiosos evangélicos.

Apoiadores da direita, como o padre Chrystian Shankar, que tem mais de 4,7 milhões de seguidores no Instagram, afirmaram que a decisão da escola de samba de levar a ala à avenida “não foi piada”. O líder religioso declarou ainda que a ação refletiu o que muitos pensam sobre família e que “toda brincadeira carrega uma intenção”.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e pré-candidato à Presidência da República, também usou a mesma rede social para comentar o episódio, afirmando que é preciso “vencer o mal com o bem”. A declaração foi feita em uma publicação no perfil oficial do parlamentar, na qual ele reproduziu o vídeo do momento da apresentação da ala “neoconservadores em conserva”. “Recuperaremos o Brasil”, escreveu.
Nas redes sociais, a Acadêmicos de Niterói ironizou a repercussão. “A gente disse que iria ser um desfile histórico”, diz uma publicação na página oficial da escola carnavalesca, acompanhada de uma imagem de uma pessoa vestida com a fantasia de lata de conserva.
Fonte: Revista Cenarium
