
Redação – Após um longo embate jurídico e regulatório, a Âmbar Energia (braço do Grupo J&F) tomou posse oficialmente da Amazonas Energia nesta terça-feira (14). A conclusão do negócio ocorreu no último dia 10, amparada por decisões da Justiça Federal e pelo aval da Aneel, colocando fim a meses de incertezas sobre o futuro do fornecimento elétrico no estado.
O Plano de Recuperação
A nova gestão herda uma concessionária em situação de insolvência técnica. Para reverter o cenário de terra arrasada, o cronograma estabelece:
- Investimento imediato: Injeção de R$ 9,8 bilhões em até 60 dias para estabilização financeira.
- Nova Liderança: O executivo João Pilla, veterano com quatro décadas de Grupo J&F, assume a presidência no Amazonas.
- Mudança de Estratégia: A empresa anunciou o fim dos medidores aéreos, sistema amplamente rejeitado pela população e alvo de bloqueios judiciais.
- Metas Operacionais: Foco na modernização da rede, combate a perdas comerciais e redução do uso de termelétricas a diesel no interior.
Radiografia do Colapso: De 2010 à Medida Provisória
O desequilíbrio da concessionária não é recente. Relatórios da Aneel já indicavam, ainda em 2010, que a operação era insustentável. Na época, embora faturasse R$ 1,3 bilhão, a empresa perdia quase 40% da energia em baixa tensão para furtos e fraudes (“gatos”).
Essa hemorragia financeira impediu que a companhia cobrisse seus custos operacionais básicos. O agravamento da crise culminou na Medida Provisória nº 1.232/2024, onde o Governo Federal admitiu a gravidade econômica da empresa, permitindo flexibilizações contratuais para evitar uma interrupção total dos serviços.
O Fantasma do Apagão e o Nó Tributário
O ápice da crise ocorreu entre 2025 e o início de 2026. Sem certidões negativas devido a dívidas bilionárias de ICMS com o Governo do Amazonas, a concessionária ficou impedida de acessar subsídios federais para comprar combustível. O risco de um apagão geral só foi contido por intervenções do STJ e depósitos judiciais mensais de R$ 14 milhões.
| Dados da Reestruturação Fiscal (2026) | Valores e Condições |
| Dívida Consolidada (ICMS) | R$ 980,3 milhões |
| Depósito Imediato pós-acordo | R$ 371,9 milhões |
| Aumento de Capital Social | Superior a R$ 134 milhões |
| Valor de Aquisição | Simbólico (devido ao passivo) |
Nova Fase
A estratégia de “salvamento” incluiu a substituição completa da diretoria e uma reestruturação societária profunda. A entrada da Âmbar representa uma tentativa de isolar o histórico de má gestão e inadimplência, apostando em um novo fôlego financeiro para garantir que o Amazonas não sofra com a descontinuidade do fornecimento de energia.
