MPAM apura uso de “eternos alunos” em patrulhamento ostensivo no Amazonas

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Foto: Divulgação

Redação – O Ministério Público do Amazonas (MPAM) instaurou um inquérito civil para apurar uma grave irregularidade administrativa na Segurança Pública do estado: a manutenção de recrutas da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros em operações de rua sem a devida nomeação oficial. A suspeita é de que agentes que já concluíram o curso de formação continuem atuando sob o status de “alunos”, o que carece de base jurídica.


Os riscos da atuação irregular

A investigação teve início após o recebimento de denúncias e registros em vídeo que flagram militares em formação executando policiamento ostensivo e outras atividades finalísticas. Segundo o MPAM, essa prática gera um “limbo jurídico” com consequências sérias:

  • Nulidade de Atos: Prisões, apreensões e abordagens feitas por agentes não nomeados podem ser contestadas e anuladas na Justiça.
  • Desproteção do Agente: Sem a investidura formal no cargo de soldado, o militar perde garantias previdenciárias e trabalhistas, além de responder civilmente por qualquer incidente durante o serviço.
  • Usurpação de Função: Manter graduados como alunos após o término do treinamento pode configurar exercício irregular de função pública.

“A atuação operacional antes da promoção oficial compromete a hierarquia militar e expõe a administração pública ao risco de processos por abuso de autoridade”, destaca o órgão.


Recomendações e providências

Diante do cenário, o Ministério Público expediu recomendações imediatas às cúpulas da PM e dos Bombeiros:

  1. Suspensão Imediata: Interrupção do uso de alunos em missões operacionais antes da posse formal.
  2. Transparência: Publicação de esclarecimentos oficiais sobre a situação dos contingentes em formação.
  3. Alerta à Polícia Civil: Orientação para que delegacias identifiquem e relatem casos de atuação irregular em flagrantes.

O MPAM solicitou relatórios detalhados sobre o status dos cursos de formação e o cronograma de nomeações. Caso as irregularidades persistam, o caso poderá evoluir para uma ação judicial contra o Estado.

Até o momento, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) não se manifestou oficialmente sobre os questionamentos levantados pela investigação.

Fonte: G1 Amazonas

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