
Redação – O cenário das artes marciais e a segurança pública do Amazonas foram abalados nesta semana com a prisão de Melquisedeque de Lima Galvão Ferreira, o “Melqui Galvão”. Conhecido treinador de jiu-jitsu, ele exercia o cargo de instrutor de defesa pessoal na Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), informação que veio à tona logo após sua prisão temporária na terça-feira (28), em Manaus.
Vínculo com a Polícia e Afastamento
Servidor efetivo da PC-AM, Melqui Galvão atuava diretamente no setor de capacitação da instituição. Após a confirmação da prisão, a corporação anunciou o afastamento cautelar do instrutor. Além disso, a Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança Pública e a própria Polícia Civil abriram procedimentos administrativos para investigar a conduta do servidor e possíveis irregularidades em suas atividades fora do estado.
Detalhes da Investigação: O Caso de São Paulo
A ordem de prisão partiu da Justiça de São Paulo, onde tramita o inquérito conduzido pela 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). O treinador é investigado pelo suposto abuso de, pelo menos, três vítimas. Entre os relatos mais graves:
- Vítima de 17 anos: Ex-aluna que teria sofrido atos libidinosos durante uma competição internacional. Atualmente nos EUA, ela e a família prestaram depoimento.
- Provas em áudio: A investigação conta com uma gravação onde o suspeito admitiria o ocorrido e tentaria negociar uma compensação financeira para evitar a denúncia.
- Vítimas históricas: Outras duas mulheres relataram abusos ocorridos em estados diferentes; uma delas afirma que os episódios começaram quando ela tinha apenas 12 anos.
O Peso no Esporte e a Reação da Família
Melqui Galvão é uma figura central no jiu-jitsu amazonense, liderando uma academia na Zona Norte de Manaus. Ele é pai e mentor de Mica Galvão, um dos maiores nomes da modalidade no mundo atualmente.
Através das redes sociais, Mica Galvão expressou choque com a situação, destacando a importância do pai em sua formação, mas enfatizando seu posicionamento ético:
“Repudio qualquer forma de assédio ou violência contra mulheres e crianças — esse é um valor que carrego e que não abre exceção”, declarou o atleta, defendendo que as autoridades apurem o caso com rigor.
Próximos Passos
Além da prisão em Manaus, mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Jundiaí (SP). A polícia agora trabalha para identificar se há outras vítimas e aguarda a definição sobre a transferência de Melqui Galvão para o sistema prisional paulista. Até o momento, a defesa oficial do treinador não se manifestou publicamente sobre as acusações.
Fonte: G1 Amazonas
