
Redação – Um levantamento inédito do Instituto de Defesa de Consumidores (Idec), publicado em março de 2026, acendeu um alerta vermelho sobre a escalada do telemarketing agressivo no país. De acordo com o estudo, o Brasil enfrenta uma média assustadora de 305,7 mil ligações indesejadas a cada minuto. O relatório analisa o comportamento do setor entre 2022 e 2025, traçando um cenário de vulnerabilidade de dados e ineficiência regulatória.
A pesquisa aponta um dado alarmante para a privacidade: 92% das chamadas são feitas por empresas com as quais o cidadão nunca teve qualquer vínculo. Segundo Julia Abad, coordenadora do Idec, o modelo atual sobrevive da exploração de dados pessoais sem a devida autorização, transformando a rotina do brasileiro em um alvo constante de interrupções.
A Matemática do Abuso: Bilhões de Tentativas
Os números traduzem a escala industrial do problema. Entre meados de 2022 e o fim de 2024, o volume de chamadas abusivas superou a marca de 1 bilhão por mês.

- Validação por Robôs: Em 2025, foram registradas mais de 161 bilhões de “chamadas curtas” (até 6 segundos). Essas ligações são usadas por softwares para confirmar se um número está ativo.
- Média por Habitante: O brasileiro recebeu, em média, 743 chamadas no período analisado.
- Ataque Direto: Mesmo com filtros, 24,1 bilhões de ligações chegaram a completar a chamada no aparelho do consumidor.
Impacto Social: Do Estresse ao Prejuízo na Saúde
O relatório do Idec destaca que o problema deixou de ser um mero “incômodo” para se tornar um obstáculo estrutural. A saturação é tamanha que a população parou de atender números desconhecidos, o que gera um efeito cascata perigoso:
- Crise na Saúde: Equipes médicas relatam dificuldades extremas para contatar pacientes, já que as chamadas de hospitais são confundidas com telemarketing.
- Exaustão Psicológica: Há registros de consumidores que sofreram um bombardeio de até 65 ligações em apenas um dia útil.
- Perda de Produtividade: A constante interrupção afeta o foco e o tempo de trabalho dos brasileiros.
Foco nos Vulneráveis e Brechas na Lei
O “cerco” atinge de forma mais cruel os idosos e pensionistas. O estudo denuncia o uso de bases de dados do INSS e Dataprev para o assédio relacionado ao crédito consignado, afetando cerca de 4 milhões de pessoas. O Idec aponta que o método é desenhado para induzir ao erro, muitas vezes convertendo um “alô” em uma autorização financeira indesejada.

“A lógica atual é a da invasão. Precisamos inverter isso para o modelo de consentimento”, defende Julia Abad.
O Fracasso das Regras Atuais
O Idec faz duras críticas à atual fiscalização. O relatório classifica como retrocesso o fim da obrigatoriedade do prefixo 0303 e critica o arquivamento de dezenas de investigações contra instituições financeiras pela Senacon.
As propostas de mudança do Idec incluem:
Bloqueio de Robocalls: Regras mais rígidas contra o uso de robôs para disparos massivos.
Modelo Opt-in: Empresas só poderiam ligar se o consumidor autorizasse previamente.
Gestão de Consentimento: Criação de uma plataforma nacional unificada.
Fonte: AGÊNCIA CENARIUM
