
Redação – O Serviço Geológico do Brasil (SGB) confirmou que o Rio Negro entrou oficialmente em cota de inundação na capital amazonense. Ao registrar a marca de 27,51 metros, a bacia ultrapassou o limite crítico de segurança (27,50 metros), gerando os primeiros reflexos em pontos vulneráveis da cidade, como a Rua dos Barés e o bairro São Jorge.
As projeções estatísticas do órgão indicam que o rio continuará subindo de forma gradual. A expectativa é que o pico desta cheia atinja os 28,31 metros, podendo oscilar entre 27,55 metros e 29,07 metros, dentro de uma margem de confiança de 80%.
Probabilidades e Projeções para este Ciclo
Os modelos hidrológicos desenham os seguintes cenários para o comportamento do Rio Negro nos próximos meses:
- 92% de chance de o nível das águas se sustentar acima da cota de inundação até o fim do ciclo.
- 12% de probabilidade de a cheia evoluir para um cenário severo (ultrapassando os 29 metros).
- Menos de 1% de possibilidade de o repiquete superar a cheia histórica de 2021, que detém o recorde de 30,02 metros.
No interior do estado, a situação do Rio Solimões também acende o sinal de alerta. Em Manacapuru, o nível do rio chegou a 18,37 metros — acima do limite de transbordo (18,20 metros) — e avança em direção à cota de inundação severa, estipulada em 19,60 metros.
O Paradoxo Hidrológico: Subida em Meio à Estiagem Local
O atual panorama apresenta uma dinâmica curiosa. Relatórios técnicos apontam que a bacia do Rio Negro enfrentou um severo déficit de chuvas recentemente, registrando um índice de anomalia de -2.2 (classificado como “muito seco”).
Por que o rio sobe se chove pouco?
A subida contínua em Manaus reflete o comportamento macro-hidrológico da Amazônia. O volume acumulado nas cabeceiras distantes e ao longo de toda a extensão da bacia acaba drenando para a capital, compensando a ausência de precipitações locais.
Se comparado ao mesmo período de 2024 (ano de estiagem histórica), o Rio Negro está 5,53 metros mais cheio. Por outro lado, o cenário atual ainda se mantém quase dois metros abaixo do volume registrado no ano recorde de 2021.
Em contrapartida, outras regiões amazônicas mostram estabilidade. O Rio Amazonas, em Itacoatiara, flutua dentro da normalidade a 13,42 metros (perto da cota de alerta de 13,50 metros). Já em Porto Velho (RO), o Rio Madeira segue em ritmo de vazante lenta, marcando 12,45 metros — bem abaixo do limite de atenção de 15 metros.
O Desafio Geológico e os Riscos na Capital
A subida do rio impõe uma pressão severa sobre a infraestrutura de Manaus, município que lidera o ranking nacional em quantidade de áreas de risco mapeadas. De acordo com o Dashboard de Risco Geológico do SGB, a capital concentra 438 setores vulneráveis:
| Classificação do Risco | Quantidade de Áreas | Principais Ameaças Atuais |
| Risco Muito Alto | 76 setores | Inundações e Alagamentos Diretos (32 áreas) |
| Risco Alto | 362 setores | Enchentes e Encharcamento do Solo (31 áreas) |
Além do avanço direto da água sobre as residências (cota de inundação), os especialistas alertam para o perigo invisível: a saturação do solo. O terreno encharcado potencializa o risco de deslizamentos de terra nas 295 áreas de encosta mapeadas na capital.
Caso o nível atinja a chamada “cota de inundação severa”, a Defesa Civil e os órgãos de planejamento urbano preveem impactos mais complexos, que incluem desde o bloqueio de vias e problemas logísticos até o desalojamento em massa de famílias e o aumento de doenças de veiculação hídrica.
Fonte: AGÊNCIA CENARIUM
