
Redação – O processo judicial sobre o assassinato de Débora da Silva Alves, ocorrido em julho de 2023, alcançou uma nova etapa neste domingo, 31, com o início dos debates entre a acusação e a defesa. A nova fase ocorre logo após a conclusão dos interrogatórios dos réus, Gil Romero e José Nilson, realizados no quarto dia de julgamento, sábado, 30. A vítima, que estava no oitavo mês de gestação, foi localizada sem vida cinco dias após o seu desaparecimento.
No sábado, após a oitiva de cinco testemunhas, o réu José Nilson prestou depoimento entre 17h05 e 19h50, respondendo aos questionamentos do juiz, de dois promotores de Justiça, de dois assistentes de acusação e de dois defensores públicos. Na sequência, às 20h43, iniciou-se o interrogatório de Gil Romero, que optou por responder apenas às perguntas formuladas por sua própria defesa, encerrando o depoimento às 23h20.
A etapa de debates iniciada neste domingo prevê um tempo total de seis horas, divididas igualmente (três horas para cada parte) entre o Ministério Público e a defesa. Caso haja interesse em réplica e tréplica, o período poderá ser estendido por mais duas horas (uma hora para cada lado) antes que o Conselho de Sentença se reúna para proferir a decisão.
Histórico e investigações da Polícia Civil
Débora da Silva Alves tinha 18 anos e desapareceu no dia 29 de julho de 2023, após sair para se encontrar com Gil Romero, apontado pelas investigações como o pai do bebê. Segundo os levantamentos policiais, o acusado havia prometido fornecer apoio financeiro para a compra de itens do enxoval da criança. A linha de investigação da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) apontou que o homem não aceitava a gestação e já havia atentado contra a vida da jovem anteriormente. Gil Romero foi localizado e preso no Distrito de Apolinário, zona rural do município de Curuá, no Pará.
“No início da gestação, ele ofereceu substâncias abortivas à vítima e, em junho daquele ano, realizou uma primeira tentativa contra a vida dela, ocasião em que a jovem conseguiu se defender”, informou o delegado Ricardo Cunha, titular da DEHS à época das investigações.
Perícia técnica e desdobramentos sobre a gestação
Durante os exames periciais realizados pelo Instituto Médico Legal (IML), foi constatada a ausência do feto no ventre da vítima. Posteriormente, a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) informou que o investigado confessou ter retirado a criança e, em seguida, utilizado uma embarcação a partir do porto da Ceasa, na Zona Sul de Manaus, para ocultar o corpo do recém-nascido no Rio Negro.
No decorrer das investigações, Ana Júlia Azevedo Ribeiro, esposa de Gil Romero, chegou a ser detida temporariamente por suspeita de envolvimento. Em depoimento, ela relatou que tomou conhecimento da gestação e do desaparecimento de Débora após ser procurada por familiares da jovem no estabelecimento comercial do casal.
Contudo, o fechamento do inquérito policial indicou que não foram encontrados elementos que comprovassem a coparticipação de Ana Júlia na execução do crime. Segundo a polícia, o réu admitiu ter comunicado à esposa apenas que havia cometido um ato grave e que precisava fugir, sem integrá-la no planejamento ou na execução dos atos de violência.
Fonte: AGÊNCIA CENARIUM
