
Redação – As relações comerciais entre Brasília e Washington entraram em rota de colisão. O governo brasileiro criticou duramente a decisão dos Estados Unidos de aplicar uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, medida que passa a valer a partir do dia 22 de julho de 2026.
A taxação é fruto de uma investigação de um ano conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). Em resposta, o Palácio do Planalto classificou a medida como unilateral e sem amparo nas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), prometendo acionar a Lei de Reciprocidade nacional e recorrer a tribunais internacionais.
O que dizem os Estados Unidos?
A investigação do USTR alega que certas políticas brasileiras prejudicam diretamente empresas, trabalhadores e exportadores americanos. Os principais pontos de atrito apontados por Washington são:
- Tecnologia e Finanças: Questionamentos sobre a regulação de plataformas digitais no Brasil e o funcionamento do Pix (serviço de pagamentos eletrônicos).
- Barreiras Comerciais: Críticas às tarifas brasileiras sobre o etanol e à proteção de propriedade intelectual.
- Meio Ambiente: Preocupações com o desmatamento ilegal e o impacto disso nas cadeias de suprimentos.
Os Argumentos do Brasil
A Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência rebateu os pontos americanos, classificando as acusações como “descabidas”. A defesa brasileira foca em três pilares principais:
- Soberania Digital: O governo defendeu o Pix como uma referência global de infraestrutura pública e justificou a regulação das redes sociais como uma medida necessária de proteção social e combate à criminalidade, rejeitando interferências externas no setor de tecnologia.
- Ações Ambientais: O país destacou a redução expressiva do desmatamento em seus biomas nos últimos anos como prova de seu compromisso ambiental.
- Balança Comercial Favorável aos EUA: O Brasil argumenta que a taxação é injusta, apontando que os EUA acumularam um superávit comercial de US$ 424,5 bilhões com o Brasil nos últimos 15 anos. Além disso, em 2025, 76% dos produtos vindos dos EUA entraram no mercado brasileiro com alíquota zero.
O que acontece agora?
O embate não deve parar na diplomacia. O governo federal brasileiro anunciou que vai agir em duas frentes para blindar a economia nacional:
- Guerra Tarifária (Reciprocidade): Ativação imediata da Lei de Reciprocidade — aprovada pelo Congresso — para taxar produtos americanos que entram no Brasil em igual proporção.
- Disputa na OMC: Abertura de um contencioso formal na Organização Mundial do Comércio para tentar anular a barreira alfandegária norte-americana.
- Plano Brasil Soberano: Execução de um programa interno para subsidiar e apoiar financeiramente as indústrias nacionais que forem mais afetadas pela perda de competitividade no mercado americano, buscando também abrir novos mercados em outros continentes.
Fonte: Agência Brasil
