Renato Junior sobe o tom contra Governo do Amazonas e cobra posição do Estado sobre os repasses de recursos do Passe Livre estudantil

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Manaus/AM – O prefeito de Manaus, Renato Junior, subiu o tom contra o Governo do Amazonas durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (21), no Centro de Cooperação da Cidade (CCC), para tratar da paralisação do transporte coletivo e dos impactos provocados pela suspensão do serviço.

Ao lado do diretor-presidente do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), Elson Andrade, e da procuradora-geral do município, Carmem Santos, o prefeito afirmou que a Prefeitura de Manaus está em dia com os compromissos relacionados ao custeio do transporte coletivo e da gratuidade estudantil. Segundo Renato, o município já teria realizado os pagamentos referentes ao exercício de 2026 e repassado cerca de R$ 284 milhões ao sistema.

A principal acusação do prefeito é de que o Governo do Amazonas não estaria cumprindo a parte que lhe cabe no financiamento do Passe Livre Estudantil para alunos da rede estadual.

Como funciona o pagamento do Passe Livre

O Passe Livre Estudantil foi criado a partir de um convênio firmado entre a Prefeitura de Manaus e o Governo do Amazonas em 2021. O programa garante até 44 passagens gratuitas por mês para estudantes da rede pública municipal e estadual que moram em Manaus e residem a mais de um quilômetro da escola.

O mecanismo funciona por meio do custeio da tarifa utilizada pelos estudantes. Na prática, o passageiro beneficiado não paga pela passagem, mas o sistema de transporte precisa receber pelo serviço prestado. É justamente essa gratuidade que precisa ser financiada pelos entes públicos responsáveis pelo programa.

O dinheiro não é simplesmente um pagamento feito ao estudante. O custeio é destinado à operação do sistema de transporte coletivo, com os valores sendo repassados conforme a estrutura administrativa e contratual estabelecida para a compensação das viagens gratuitas realizadas pelos beneficiários.

Em 2025, a própria Prefeitura de Manaus informou que o Governo do Estado deixou de repassar, a partir de fevereiro, os valores correspondentes à sua participação no programa referente aos alunos da rede estadual. Segundo o município, a Prefeitura passou a arcar sozinha com o benefício para estudantes das duas redes. 

Para 2026, mais de 332 mil estudantes de escolas públicas estavam aptos a solicitar a gratuidade, conforme informações divulgadas pela Prefeitura. O sistema é operacionalizado com participação do Sinetram, que realiza a integração dos dados dos estudantes com os sistemas oficiais.

Prefeitura diz estar em dia e acusa Estado de não pagar

Durante a coletiva, Renato Junior afirmou que a Prefeitura de Manaus cumpriu a parte que lhe cabia e criticou o Governo do Amazonas por, segundo ele, não ter realizado os repasses destinados aos alunos da rede estadual.

O prefeito também afirmou que o problema não teria começado na atual administração estadual. Segundo Renato, ainda durante o governo de Wilson Lima, o Estado teria recorrido à Justiça para parcelar valores relacionados ao subsídio do transporte estudantil. Na avaliação do prefeito, as parcelas referentes a 2025 não teriam sido pagas e, em 2026, o Governo do Amazonas também não teria realizado os repasses mencionados por ele.

A Prefeitura já havia afirmado publicamente, em 2025, que o Estado deixou de cumprir sua parte no custeio do Passe Livre Estudantil e que o município passou a assumir integralmente os custos do benefício para alunos das redes municipal e estadual. O município chegou a recorrer à Justiça para cobrar a retomada da participação estadual. 

“Roberto Cidade Lima”

A cobrança mais dura foi direcionada ao atual governador do Amazonas, Roberto Cidade. Em tom de crítica política, Renato Junior chamou o governador de “Roberto Cidade Lima” e afirmou que ele deveria concentrar esforços na administração do Estado, em vez de antecipar articulações eleitorais.

“Ele pode fazer campanha depois do horário de trabalho. Primeiro ele precisa sentar na cadeira de governador e trabalhar de verdade. Deixe de brincar”, afirmou o prefeito, segundo o conteúdo apresentado durante a coletiva.

Renato também classificou o governador como “caloteiro” ao cobrar os repasses relacionados ao transporte estudantil e fez críticas à gestão anterior de Wilson Lima.

Segundo o prefeito, o atual governo teria herdado problemas e dívidas deixados pela administração anterior. Renato afirmou que o governo de Wilson Lima teria deixado pendências com profissionais como médicos, maqueiros, enfermeiros e policiais civis e militares.

As declarações ocorrem em meio à disputa política entre Prefeitura e Governo do Estado sobre a responsabilidade pelo financiamento do transporte gratuito para estudantes da rede estadual.

O prefeito Renato Junior sustentou que a Prefeitura tem feito sua parte e que o Governo do Amazonas precisa assumir a responsabilidade pelos compromissos relacionados aos alunos da rede estadual.

A disputa agora deve continuar nos campos político e judicial. Enquanto a Prefeitura afirma estar em dia com os pagamentos e acusa o Estado de inadimplência, o Governo do Amazonas deverá apresentar sua própria versão sobre os valores cobrados, os pagamentos realizados e as responsabilidades previstas no convênio do Passe Livre Estudantil.

Da Redação, André Leocádio.

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