
Redação – O clima em Manaus passa por uma transformação perceptível no dia a dia. Na última quinta-feira (6), a estação meteorológica da capital marcou uma temperatura mínima de 27,5°C, superando a média histórica anual de 27,4°C estabelecida pelas Normais Climatológicas (1991–2020) do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
O dado não representa um caso isolado, mas integra um cenário contínuo de anomalias térmicas registradas na região entre 2023 e 2026. Mapas climáticos recentes mostram o país sob a influência de temperaturas de 2°C a 3°C acima da média, com um reflexo marcante em Manaus: a perda da capacidade tradicional da cidade de se refrescar durante a madrugada.

O fator umidade e o conforto térmico
Compreender o calor urbano exige olhar além do termômetro. O ponto de orvalho — indicador que mede a quantidade de vapor de água no ar — revela como a umidade afeta diretamente a sensação térmica e a saúde humana.
Na manhã da última quinta-feira, os termômetros marcaram 29,2°C com 66% de umidade. Quando o ponto de orvalho ultrapassa os 24°C, o corpo humano encontra mais dificuldade para evaporar o suor, principal mecanismo natural de resfriamento. Em Manaus, onde o índice costuma oscilar entre 22,9°C e 24°C, a união entre ar abafado e noites aquecidas eleva o risco de estresse térmico, exigindo atenção especial com grupos vulneráveis, como crianças e idosos.

Urbanização e o papel vital da vegetação
A tendência de aquecimento na capital não acontece por acaso. Dados de longo prazo obtidos por meio de análises estatísticas, como o estudo da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) com base no teste de Mann-Kendall, apontam um crescimento anual mensurável nas temperaturas médias e máximas de Manaus entre 2001 e 2024.
Esse aquecimento é fruto da soma entre mudanças climáticas globais e transformações locais. O adensamento urbano intensifica o efeito de ilha de calor, no qual materiais como concreto e asfalto retêm o calor solar ao longo do dia e o devolvem lentamente para a atmosfera durante a noite.
Em contrapartida, pesquisas locais demonstram o poder regulador da natureza. Um levantamento da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) no bairro Coroado identificou diferenças de até 6,5°C na temperatura entre áreas densamente urbanizadas e zonas arborizadas da própria instituição. O dado reforça que a preservação e a ampliação da cobertura vegetal urbana funcionam como ferramentas essenciais para mitigar o calor e devolver o equilíbrio térmico à cidade.
Fonte: AGÊNCIA CENARIUM

