
Redação – A disputa pela Presidência da República entrou oficialmente em sua fase de rua neste domingo (16), após a liberação do calendário da Justiça Eleitoral. Com atos permitidos até o dia 3 de outubro — véspera do primeiro turno —, os postulantes ao cargo máximo do Executivo federal escolheram redutos estratégicos, simbólicos ou bases de apoio político para marcar o início de suas caminhadas rumo ao Palácio do Planalto.
As agendas de largada revelam o tom que cada candidatura pretende imprimir nos próximos meses, equilibrando discursos econômicos, propostas de segurança pública e demarcações ideológicas claras.
Os palcos e as mensagens de largada
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Buscando o quarto mandato presidencial, o atual presidente escolheu um local com forte carga histórica para iniciar sua campanha: o Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP). O espaço remete às assembleias metalúrgicas do ABC paulista no final dos anos 1970. Diante de um público numeroso, Lula convocou a militância para uma participação ativa e destacou a defesa da soberania nacional, políticas sociais e o fortalecimento de programas voltados à segurança pública, como o projeto de lei de combate ao crime organizado.

Flávio Bolsonaro (PL)
O candidato do PL deu início à sua campanha na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, tradicional reduto de atos políticos do campo conservador. Acompanhado de aliados e familiares, Flávio focou em propostas de endurecimento penal — incluindo a classificação de milícias e cartéis do tráfico como organizações terroristas —, além de críticas à atual taxa de juros (Selic a 14% ao ano) e promessas de corte de gastos públicos e enxugamento da máquina administrativa.

Ronaldo Caiado (PSD)
Escolhendo o estado que governou até março deste ano, Caiado concentrou sua largada no entorno do Distrito Federal, passando por municípios goianos. O ex-governador adotou um posicionamento firme de oposição ao atual governo, ressaltando sua trajetória administrativa em Goiás nas áreas de segurança, saúde e educação, além de defender o equilíbrio fiscal e a responsabilidade orçamentária.

Romeu Zema (Novo)
O candidato do Partido Novo iniciou sua trajetória em Montes Claros, no Norte de Minas Gerais, com agendas que incluíram eventos religiosos e encontros com candidatos a deputado federal. Zema centrou seu discurso na eficiência de gestão e no combate à corrupção, projetando sua experiência administrativa no estado mineiro como modelo para a esfera federal.

Renan Santos (Missão)
Representando o movimento Missão, Renan Santos escolheu o Largo São Francisco, no centro de São Paulo, para o seu primeiro ato público. Apoiado por figuras políticas ligadas ao grupo, o candidato direcionou suas críticas ao assistencialismo estatal e enfatizou propostas voltadas ao empreendedorismo e à liberdade econômica.

Augusto Cury (Avante)
O escritor e psiquiatra Augusto Cury deu o primeiro passo em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG). Em sua mensagem aos eleitores e à imprensa, Cury evitou a polarização tradicional entre esquerda e direita, propondo um foco central na valorização da saúde mental, da educação e no fortalecimento da célula familiar.

Hertz Dias (PSTU)
Professor da rede pública e ativista social, Hertz Dias realizou caminhadas pela Avenida Paulista, em São Paulo, e por São José dos Campos. A campanha do PSTU colocou no centro do debate a necessidade de reestatização de empresas estratégicas e uma maior redistribuição de renda em favor da classe trabalhadora.

Outras movimentações
No campo das demais legendas, Samara Martins (UP) realizou um ato de lançamento com militantes em São Paulo, enquanto Edmilson Costa (PCB) optou por interagir com eleitores por meio de transmissão digital ao longo da noite. Os candidatos Clariana Barão (DC), Rui Costa Pimenta (PCO), Wilson Grassi (Democrata) e Pablo Marçal (PRTB) não divulgaram agendas públicas para o primeiro dia oficial de campanha.
Fonte: Agência Brasil

