
Redação – Uma densa névoa de fumaça e um forte odor de material queimado tomaram conta de diferentes zonas de Manaus nas primeiras horas desta quarta-feira (9). O cenário urbano reflete uma piora significativa na qualidade do ar, registrada por plataformas de monitoramento científico na capital amazonense.
De acordo com as medições do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), iniciativa desenvolvida pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), houve um aumento expressivo nas concentrações de partículas finas na atmosfera logo ao amanhecer.
Diagnóstico da Qualidade do Ar e Dados Técnicos
Por volta das 5h45, sensores específicos registraram taxas de material particulado fino — conhecido tecnicamente como PM2,5 — superiores a 100 microgramas por metro cúbico de ar (µg/m³) em pontos isolados da cidade, enquanto outras áreas mantinham índices classificados como moderados.
Parâmetros de Avaliação: Na metodologia adotada pelo sistema de monitoramento, concentrações de material particulado que oscilam entre 50 e 125 µg/m³ enquadram a qualidade do ar na faixa considerada ruim.
Esse patamar exige cautela redobrada, em especial para grupos de maior vulnerabilidade biológica, como crianças, idosos, gestantes e indivíduos que conviven com afecções respiratórias ou cardiovasculares crônicas.
Dinâmica Atmosférica e o Transporte de Poluentes
Especialistas e pesquisadores da UEA esclarecem que o material particulado em suspensão que encobre a capital não decorre exclusivamente de focos de fogo locais ou de municípios do entorno imediato.
- Correntes de Vento: Correntes aéreas transportam partículas geradas por incêndios florestais e queimadas em regiões distantes, a exemplo do sul do Amazonas, sul de Rondônia e norte de Mato Grosso.
- Fatores Climáticos: A conjuntura meteorológica atual, marcada por tempo seco e baixa circulação de ventos, cria uma espécie de barreira atmosférica que retém os poluentes nas camadas mais baixas, próximas à superfície.
- Persistência: Como a previsão indica ventos de baixa intensidade para o decorrer do dia, a névoa e o odor característico tendem a persistir sobre os bairros manauaras por um período prolongado.
Panorama de Focos de Calor na Amazônia
Levantamentos do Programa Queimadas, gerido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), contextualizam a magnitude da questão ambiental. Entre os dias 1º e 7 de setembro, o estado do Amazonas contabilizou 1.167 focos de calor, posicionando-se na liderança nacional do ranking no período.
O estado superou o Pará, que registrou 856 ocorrências, e a Bahia, com 419 registros. Além disso, o mapa nacional destaca a concentração regional: seis municípios amazonenses figuram entre os dez com maior número de registros no país durante a primeira semana do mês:
- Novo Aripuanã
- Manacapuru
- Apuí
- Autazes
- Lábrea
- Caapiranga
Nota técnica: Os chamados focos de calor correspondem a anomalias térmicas captadas por satélites ambientais. Esses dados não equivalem de maneira direta e isolada a focos individuais de incêndio, visto que uma mesma queimada de grande extensão ou longa duração pode gerar múltiplos registros nos sistemas de monitoramento.
Recomendações de Proteção à Saúde
Diante do cenário de poluição atmosférica acentuada, autoridades de saúde e pesquisadores reforçam orientações preventivas, principalmente para a população exposta a maiores riscos:
- Atividades Físicas: Evitar exercícios físicos intensos ao ar livre e limitar a permanência prolongada em áreas externas enquanto persistirem os índices desfavoráveis.
- Isolamento Domiciliar: Manter portas e janelas vedadas nos horários de maior concentração de fumaça na atmosfera.
- Hidratação: Elevar o consumo diário de água para auxiliar na lubrificação das vias aéreas.
- Proteção Física: Utilizar máscaras com capacidade de filtração adequada, como os modelos PFF2 ou N95, em caso de deslocamentos externos obrigatórios.
Sintomas como irritação ocular, ardência na garganta, episódios de tosse, falta de ar, chiado torácico ou descompensação de quadros respiratórios pré-existentes devem ser monitorados de perto. Persistindo os sinais ou havendo agravamento do quadro clínico, a recomendação é buscar atendimento médico especializado.
Fonte: Laranjeiras News
