
Redação – A Polícia Federal deflagrou uma operação de abrangência regional com foco na apuração de contratos públicos firmados com a Prefeitura de Coari, localizada no interior do estado do Amazonas. A ação, batizada de Operação Dinastia do Lago, concentra-se em averiguar possíveis irregularidades estruturais em processos licitatórios, desvio de verbas públicas, práticas de corrupção e mecanismos de ocultação de patrimônio.
A condução das medidas cautelares foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, após representação formulada pela Procuradoria-Geral da República. O desdobramento jurídico mobilizou equipes policiais para o cumprimento de dezenas de mandados de busca e apreensão distribuídos entre os municípios de Manaus e Coari. Como medida acautelatória para preservar a integridade das apurações, a Justiça determinou o afastamento temporário do prefeito de Coari, Adail Pinheiro, bem como de titulares de secretarias municipais.
Desdobramentos e alvos institucionais
O escopo da investigação aponta como figura central de interesse o deputado federal Adail Filho (MDB-AM), filho do atual gestor municipal. No âmbito das diligências autorizadas, mandados de busca foram cumpridos em endereços vinculados ao parlamentar no estado do Amazonas, sem ocorrência de medidas de mesma natureza no Distrito Federal.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, equipes de fiscalização e agentes federais apreenderam valores expressivos em espécie. Na residência do secretário municipal de Fazenda, foram localizados aproximadamente R$ 400 mil em dinheiro vivo, montante submetido a procedimentos formais de contagem e perícia para rastreamento de procedência.

A origem das apurações
A deflagração da Operação Dinastia do Lago constitui o desdobramento de um inquérito em tramitação no STF. A investigação teve seu marco inicial em maio de 2025, quando três empresários foram detidos em flagrante no Aeroporto Internacional de Brasília. Na ocasião, o grupo transportava o equivalente a R$ 1,25 milhão em espécie durante um voo comercial oriundo de Manaus, sem apresentar justificativas formais ou comprovação documental imediata acerca da origem legal dos recursos.
A análise do material apreendido naquelas circunstâncias — que incluiu dispositivos eletrônicos e documentação diversa — revelou indícios de conexões sistêmicas com o erário de Coari. Os investigadores identificaram um conjunto de empresas com vínculos societários ou operacionais com os investigados, as quais mantinham contratos ativos com o executivo municipal. A suspeita técnica é de que essas estruturas jurídicas tenham sido utilizadas para simular processos competitivos de licitação e viabilizar o escoamento de recursos.


Adicionalmente, o inquérito examina a destinação e a execução de repasses provenientes de emendas parlamentares direcionadas ao município nos exercícios financeiros de 2024 e 2025. O procedimento investigativo segue em curso na Polícia Federal para delimitar responsabilidades individuais nos crimes de peculato, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e fraudes licitatórias.

Fonte: G1 Amazonas
