Cenário crítico da qualidade do ar em Manaus e Região Metropolitana exige atenção à saúde pública

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Foto: Vista do bairro Adrianópolis mostra prédios e horizonte encobertos por densa camada de fumaça em Manaus nesta quarta-feira (23). (Jackeline Lima/Rede Amazônica)

Redação – Nesta quarta-feira (23), a capital amazonense amanheceu novamente sob uma densa camada de fumaça, marcando o sexto episódio de poluição atmosférica severa registrado no intervalo de apenas 15 dias. Os dados consolidados pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), indicam que os parâmetros de qualidade do ar superaram amplamente os limites máximos previstos pela escala de monitoramento.

Por volta das 5h15, o bairro Distrito Industrial I, localizado na Zona Sul de Manaus, registrou uma concentração de partículas finas de 587,9 µg/m³. Para contextualizar a gravidade da marca, o patamar de referência máxima da escala padrão do Selva é de 160 µg/m³, o que significa que o índice verificado foi mais de três vezes superior ao teto de medição. Outras zonas da cidade também amanheceram em situação de alerta severo: no Parque Dez (Zona Centro-Sul), o índice atingiu 267,5 µg/m³, enquanto na Compensa (Zona Oeste) a concentração chegou a 219 µg/m³.

Embora uma medição realizada cerca de uma hora depois, por volta das 6h, tenha apontado uma ligeira retração nos números — com o Distrito Industrial I marcando 382,8 µg/m³, o Parque Dez registrando 223,4 µg/m³ e o bairro Armando Mendes (Zona Leste) alcançando 216,9 µg/m³ —, o cenário continuou muito acima da faixa considerada extrema. A Prefeitura de Manaus aponta que o material particulado é originário de focos de queimadas espalhados por diferentes sub-regiões da Amazônia, com forte influência de focos ativos na Região Metropolitana e na porção leste do estado.

Panorama técnico da qualidade do ar

Para balizar a compreensão pública, a escala do Selva classifica a qualidade do ar de acordo com a densidade de poluentes por metro cúbico:

  • Boa: Concentração entre 0 e 25 µg/m³.
  • Péssima: Acima de 125 µg/m³.
  • Teto da escala de referência: 160 µg/m³.

O fenômeno de degradação atmosférica não se restringe à capital. Na Região Metropolitana de Manaus, sete dos treze municípios monitorados apresentaram, na manhã desta quarta-feira, índices superiores a 125 µg/m³, enquadrados na faixa péssima. O caso mais alarmante ocorreu no município de Autazes, onde a concentração de partículas chegou a 576,6 µg/m³. Cidades como Manacapuru, Manaquiri, Careiro, Rio Preto da Eva, Iranduba e Itacoatiara também registraram marcas críticas. Em localidades como Borba, Silves e Careiro da Várzea, os índices oscilaram entre 77,4 e 109,8 µg/m³, patamares avaliados como muito ruins.

Questionados sobre as ações de controle às queimadas e a logística de resposta na Região Metropolitana, o Governo do Amazonas e o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas não enviaram retorno até o fechamento desta edição.

Impactos institucionais e suspensão de atividades presenciais

Diante da deterioração drástica das condições ambientais e do parecer técnico emitido pelo Centro de Ciências do Ambiente (CCA/Ufam) — que identificou concentrações elevadas de material particulado fino (MP2,5) decorrentes do transporte de fumaça e das queimadas —, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) optou por transferir todas as atividades acadêmicas para o formato remoto nesta quarta-feira nas unidades situadas em Manaus.

Recomendações de saúde e prevenção

A Secretaria Municipal de Saneamento e Saúde (Semsa) reforçou diretrizes de proteção para mitigar os impactos da inalação prolongada de fumaça, direcionando atenção especial a grupos vulneráveis, como crianças, idosos, gestantes e portadores de afecções respiratórias ou cardíacas crônicas.

Entre as principais recomendações sanitárias estão:

  • Restrição de atividades físicas: Evitar exercícios ao ar livre, a exemplo de caminhadas, corridas e ciclismo, especialmente nos horários de maior concentração de poluentes.
  • Hidratação e proteção de mucosas: Manter consumo regular de água e zelar pela proteção de vias aéreas e olhos. O uso de máscaras com alto poder de filtração, como o padrão N95, é indicado para reduzir a absorção de partículas quando a exposição for inevitável.
  • Monitoramento de sintomas: Ficar atento a manifestações clínicas como tosse persistente, irritação na garganta, ardência ocular, coriza, cefaleia, chiado torácico, dispneia (falta de ar) e exacerbação de quadros asmáticos.

A orientação médica é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ao surgirem os primeiros sintomas leves. Para quadros de maior gravidade, deve-se recorrer a prontos-socorros imediatamente ou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) por meio do número 192.

Fonte: G1 Amazonas

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