
Redação – O Banco Central divulgou nesta quarta-feira (30) os dados oficiais sobre o desempenho das contas públicas brasileiras referentes ao mês de agosto. O balanço do setor público consolidado — que engloba a União, os governos estaduais, municipais e as empresas estatais — apontou um déficit primário de R$ 10 bilhões no período.
O resultado indica uma melhora operacional em relação a agosto de 2025, quando o saldo negativo havia alcançado R$ 17,3 bilhões. O conceito de déficit primário mede a diferença entre as receitas e as despesas do governo antes de se computar o pagamento dos encargos da dívida pública.
Desempenho por Esfera de Governo
A composição do resultado de agosto revela dinâmicas distintas entre os entes federativos:
- Governo Central (Tesouro, Previdência e Banco Central): Registrou um déficit expressivo de R$ 14,7 bilhões, concentrando o peso principal do saldo negativo do mês.
- Governos Regionais (Estados e Municípios): Apresentaram um superávit de R$ 2,7 bilhões, ajudando a amortizar parte do resultado negativo da União.
- Empresas Estatais: Contribuíram positivamente com um saldo de R$ 2 bilhões em suas contas.
No horizonte mais amplo, considerando o acumulado de 12 meses encerrados em agosto, o setor público consolidado registra um déficit primário de R$ 82,1 bilhões, o que corresponde a 0,62% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse patamar representa uma queda de 0,06 ponto percentual em relação ao registrado no fechamento do primeiro semestre.
O Peso dos Juros e o Resultado Nominal
Enquanto o resultado primário apresentou melhora, o cenário fiscal se complica de forma significativa quando se incorporam as despesas financeiras. Os gastos com juros nominais somaram R$ 105,9 bilhões em agosto, uma alta considerável frente aos R$ 74,3 bilhões desembolsados no mesmo mês do ano anterior.
O Banco Central destacou que esse avanço foi intensificado pelo comportamento das operações de swap cambial. O segmento, que havia gerado um ganho de R$ 19,9 bilhões em agosto de 2025, passou a registrar uma perda de R$ 9,3 bilhões no mês atual.
No acumulado de 12 meses, as despesas brutas com juros já alcançam a marca de R$ 1,182 trilhão, montante equivalente a 8,86% do PIB.
Como consequência da combinação entre o déficit primário e a conta de juros, o resultado nominal de agosto foi deficitário em R$ 115,9 bilhões. No acumulado de um ano, o déficit nominal atingiu R$ 1,264 trilhão, ou 9,48% do PIB, registrando uma elevação de 0,12 ponto percentual na comparação com o mês anterior.
Panorama da Dívida Pública
O avanço contínuo das despesas financeiras e do resultado nominal exerce pressão direta sobre os indicadores de endividamento do país:
- Dívida Líquida do Setor Público (DLSP): Encerrou o mês de agosto em R$ 9,2 trilhões, o que representa 69,3% do PIB. O indicador apresentou uma alta de 0,1 ponto percentual no mês, impulsionado sobretudo pela incorporação de juros nominais e pelo próprio déficit primário.
- Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG): Que abrange o INSS, governos estaduais e municipais, alcançou R$ 11,1 trilhões, equivalente a 82,9% do PIB. O patamar ficou 0,3 ponto percentual acima do apurado em julho.
De acordo com a autoridade monetária, a expansão da dívida bruta reflete o impacto cumulativo dos juros nominais e as oscilações cambiais. No acumulado do ano, a DBGG acumula uma elevação de 4,2 pontos percentuais do PIB, evidenciando o desafio estrutural de estabilização das contas públicas a médio prazo.
Fonte: Agência Brasil

