
Redação – Embora as condições atmosféricas tenham apresentado um alívio sutil em relação aos períodos mais críticos enfrentados recentemente, o Amazonas segue lidando com os impactos da poluição do ar. Na manhã desta sexta-feira (30), Manaus ocupava a primeira posição nacional no ranking de cidades com o ar mais poluído do país, segundo plataformas de monitoramento global. Contudo, a atenção dos especialistas também se volta para o interior do estado, onde os índices de material particulado têm atingido patamares ainda mais elevados.
O cenário na capital e no interior
Por volta das 6h20, a capital registrava um Índice de Qualidade do Ar (AQI) de 148 na plataforma IQAir, patamar classificado como prejudicial para grupos sensíveis. Em paralelo, dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), detalharam a situação em bairros específicos — como no Morro da Liberdade, onde a concentração de partículas alcançou 55,1 µg/m³.
Para contextualizar, o sistema considera o ar satisfatório quando os níveis variam de 0 a 25 µg/m³. Acima disso, a escala transita entre moderada e níveis mais críticos.
No entanto, as maiores concentrações de poluentes foram registradas fora da capital. O monitoramento apontou marcas expressivas em municípios do interior:
- Vila Amazônia (Parintins): 241,2 µg/m³
- Maués: 181,8 µg/m³
- Parintins (sede): 171,6 µg/m³
- Barreirinha: 129,6 µg/m³
- Itapiranga: 125,9 µg/m³
- Nhamundá: 115,6 µg/m³
- Iranduba: 85,9 µg/m³
Impactos na rotina escolar de Parintins
Diante da deterioração da qualidade do ar, a rede estadual de ensino em Parintins suspendeu as aulas em todos os turnos a partir da última quinta-feira (29), visando resguardar a saúde de alunos e profissionais da educação. A medida impactou mais de 23 mil estudantes, orientados a retornar às residências.
O recesso escolar foi estendido estrategicamente devido ao calendário: a sexta-feira (30) já figurava como ponto facultativo referente ao Dia do Servidor Público, seguida pelo feriado de Finados na segunda-feira (2). A Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar prevê o retorno das atividades presenciais na terça-feira (3), com diretrizes de reposição pedagógica já estabelecidas em orientações prévias.
Outras instituições de ensino na região adotaram providências semelhantes:
- IFAM (Instituto Federal do Amazonas): suspendeu as atividades presenciais até o dia 6 de novembro, conforme deliberação de seu comitê de crise.
- UEA e UFAM: paralisaram as aulas em seus campi locais ao longo da quinta-feira, afetando mais de 3,2 mil universitários.
Fatores externos e articulação regional
O monitoramento climático também aponta para influências interestaduais. No início da semana, o governo estadual destacou que focos de queimadas concentrados no sul do Pará — especialmente na região de Itaituba, próxima à divisa — representam um fator de risco adicional para a atmosfera amazonense, com deslocamento de massas de fumaça previsto para os dias seguintes.
Diante desse cenário, autoridades locais têm avaliado canais de cooperação com o governo paraense para alinhar estratégias conjuntas de contenção de incêndios e mitigação dos impactos ambientais na divisa regional.
Fonte: G1 Amazonas
