Caos na Pandemia: Migrantes em Manaus estão em situação de fome, diz padre Valdecir Molinari

Caos na Pandemia: Migrantes em Manaus estão em situação de fome, diz padre Valdecir Molinari
(Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real)

Manaus (AM) – O padre Valdecir Mayer Molinari, pároco da Igreja de São Geraldo, na zona sul de Manaus, foi transferido em janeiro para Cuiabá, no Mato Grosso. Molinari desenvolve um trabalho à frente da Pastoral do Migrante, que acolhe refugiados e imigrantes de várias nacionalidades, entre haitianos, bolivianos, senegaleses, venezuelanos e quem mais precisa de apoio para sobreviver em outro país. A Pastoral do Migrante foi criada por Dom João Batista Scalabrini (1839-1905), fundador da Congregação dos Missionários de São Carlos para cuidar dos imigrantes italianos, em 1887. Em meio a pandemia da Covid-19, a missão dos Scalabrinianos no mundo tem um desafio. 

O padre Valdecir Molinari diz que a maior demanda da Paróquia São Geraldo, em Manaus, é responder às necessidades mais básicas dos migrantes, que é a falta de alimentos. “Nesse período de pandemia, já ajudamos mais de 5 mil famílias de imigrantes, entre venezuelanos e haitianos, e até brasileiros. São famílias que estão em situação de fome no meio dessa crise imposta pelo novo coronavírus. Principalmente os imigrantes que dependem de trabalhos informais com a venda de picolés, frutas e outras coisas”, diz.

Os haitianos migraram para o Brasil após o terremoto de 2010 no Haiti. Na ocasião, o padre Valdecir se tornou um dos porta-vozes dos sobreviventes, junto com o colega, o padre Gemino Costa. A paróquia acolheu mais de 10 mil haitianos.  “Trazer um carisma [o mesmo que missão ou trabalho] como o nosso [de acolhimento de migrantes] para uma paróquia tão grande, não é fácil. Quando chegamos aqui, a realidade era totalmente diferente”, recordou o padre Valdecir.

Já os venezuelanos se deslocaram para o Brasil a partir de 2014 devido a intensa crise política e econômica provocada pelo governo de Nicolás Maduro e às sanções econômicas internacionais impostas ao país. De acordo com a Acnur (agência de refugiados da ONU), até setembro de 2020, dos 224 mil venezuelanos estariam no país, 20 mil migraram para o Amazonas.

Padre Valdecir Molinari (Arquivo pessoal)

Desde os 12 anos, o padre Valdecir Molinari diz que sabia que queria ser padre. A formação religiosa começou dentro de casa, no sítio onde morava na zona rural de Sabáudia. “Minha opção pelo sacerdócio foi muito cedo e fui aprendendo o que era a vocação sacerdotal e missionária, o que despertou em mim essa paixão pela questão migratória. Fiz uma preparação teológica e filosófica no seminário e vivi uma experiência enriquecedora em uma favela em São Bernardo. Isso me possibilitou abraçar a minha verdadeira vocação”, disse.

Antes de Manaus, Valdecir trabalhou com migrantes temporários, como os cortadores de cana de açúcar e catadores de café que alimentavam as usinas em Guariba, no interior de São Paulo; os novos colonos em Ji-Paraná (RO), com as ocupações de terras entre os municípios de Colniza (MT) e de Apuí (AM); e depois com populações vulneráveis em São Bernardo (SP).

No Mato Grosso, o missionário scalabriniano vai atuar em uma casa de acolhida de migrantes da Paróquia do Espírito Santo, que já possui um trabalho com brasileiros que migram de Rondônia para o Mato Grosso. “Vamos trabalhar com uma situação parecida com a de Manaus, pois esse local virou uma casa de acolhimento de estrangeiros também. Tem venezuelanos que chegam lá de barco, de ônibus de outras maneiras que não é de transporte aéreo”, revelou. 

(Fonte: Amazônia Real)

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