Na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, Rosa Luxemburgo e obra completam 150 anos

Na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, Rosa Luxemburgo e obra completam 150 anos
A intelectual e militante Rosa Luxemburgo, em público, exercitando uma de suas maiores qualidades: a oratória (Reprodução/ Internet)

Um dos maiores monumentos femininos da era pós-moderna, a pensadora polonesa Rosa Luxemburgo e sua obra “A Acumulação do Capital” completam 150 anos. Sua trajetória de vida e o pensamento social e científico fazem de Rosa um símbolo da mulher de seu tempo. Ativista, militante comunista e inquieta diante das injustiças, Rosa Luxemburgo morreu por seus ideais.

A insubmissa Rosa Luxemburgo sendo fichada pelo departamento de polícia alemão (Reprodução/Internet)

REVISTA CENARIUM entrevistou intelectuais para saber sobre o papel e o legado de uma das mulheres mais marcantes da história. Para o advogado e militante de esquerda, Marcelo Amil, Rosa é sinônimo de superação. Sua contribuição à filosofia e à atuação das mulheres na vida social e política é extremamente importante e necessária.

“Rosa Luxemburgo é um exemplo histórico para as mulheres e para a humanidade em si. Venceu a deformidade física, venceu o sexismo, e venceu o tempo, pois mais de cem anos após seu assassinato, sua obra continua sendo leitura obrigatória para a militância do campo progressista mundial”, sintetizou Amil.

“Rosa, assim como seu nome, de beleza intelectual encantadora e uma mulher fascinante! Na sua vasta sabedoria e militância destacam-se os temas que fazem parte de seu legado, sobretudo, seu pacifismo e a defesa da democracia como forma de revolução”, declarou o cientista social e antropólogo Marcel Gutiá, de Santa Catarina.

“Suas posições, às vezes intransigentes, a fizeram polemizar com as figuras mais relevantes do socialismo marxista, mas a fez a mulher que é, a rosa que encanta o jardim do mundo! Uma rosa vermelha, permanente viva, resistência ainda em tempos de negacionismos!”, contextualizou Gutiá.

Dívida

Para a assistente social e mestre em sociologia Marklize Siqueira, Rosa é um exemplo. “Essa mulher é uma inspiração para todas nós. A luta por direitos é difícil hoje, mas, na época da Rosa Luxemburgo, em 1889, era muito pior. Ela enfrentou o desafio de ser uma mulher na universidade, pois, na época, poucas aceitavam mulheres. Um absurdo! Mas era o seu tempo”.

“Graduou em economia, filosofia e matemática. E foi doutora em Ciência Política. Seu pensamento foi marcado pela ideia de que a mulher só alcançaria a completa libertação por meio de uma revolução social. Escreveu muitas obras e teve um lugar de destaque na política no qual passou por difíceis situações ao enfrentar o machismo das estruturas partidárias”, observou.

“Ela se recusava a ficar nos bastidores da política e isso incomodava profundamente ‘seus companheiros’ de partido.

Esteve na linha de frente e defendia com grande sabedoria e poder de argumentação suas ideias. Contestou, inclusive, Lênin, mas ele não teve a capacidade de admitir que Rosa estava correta em muitas de suas avaliações. Esse pedido de desculpas é uma dívida histórica”, cobrou Marklize.

História

Manifestações no anos 1960 levam imagens de Rosa Luxemburgo como símbolo de resistência feminina (Reprodução/ Internet)

Rosa Luxemburgo nasceu em 1871 na Polônia, no seio de uma família alemã de origem judaica. Inteligente e articulada, Rosa era detentora de uma excelente oratória. Aos 17 anos iniciou sua luta política no movimento operário alemão. Participou ativamente na construção e criação do Partido Comunista Alemão (KPD). Como intelectual produziu farto material onde pontuava e defendia um socialismo democrático.

Mas, foi na observação da obra de outro grande intelectual alemão, Karl Marx, que Rosa Luxemburgo extraiu a sua mais contributiva participação no mundo das ideias. A pensadora observou a lacuna na produção do monumental “O Capital”, de Karl Marx. Luxemburgo percebeu a incompletude, até por conta do falecimento do velho Marx, de trechos do pensamento relativos à ‘acumulação’ do capital.

Por ocasião da data, no Brasil, intelectuais traçam um paralelo entre os papéis libertários de Rosa Luxemburgo e Marielle Franco (Reprodução/Brasil de Fato)

pela editora Civilização Brasileira. Rosa Luxemburgo foi um marco e um ponto de convergência intelectual. Morreu assassinada em 1919 pelo braço paramilitar GKSD do governo reacionário alemão. Por seus méritos é uma das mulheres mais lembradas e reverenciadas no universo das grandes discussões políticas.


Fonte: Revista Cenarium

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