Cheia no Amazonas já afeta quase 100 mil pessoas, aponta Defesa Civil

Cheia no Amazonas já afeta quase 100 mil pessoas, aponta Defesa Civil
Boca do Acre, no AM, decreta situação de emergência por causa da cheia dos rios. — Foto: Defesa Civil de Boca do Acre/ Divulgação

Quase 100 mil pessoas já estão sendo afetadas com a cheia no Amazonas, até esta sexta-feira (26), segundo dados divulgados pela Defesa Civil. Ao todo, 41 municípios já decretaram situações de atenção, emergência e transbordamento (veja lista abaixo).

De acordo com a Defesa Civil, 97.894 mil pessoas que vivem em municípios das calhas dos rios Juruá e Purus – em situação de emergência – já estão sendo afetadas pelo aumento no nível dos rios no Amazonas.

Na calha do Rio Juruá, os municípios de Guajará, Eirunepé, Envira, Ipixuna, Carauari, Itamarati e Juruá estão com uma estimativa de um quarto de suas populações afetadas pela cheia, conforme os dados da Defesa Civil.

Já na calha do Rio Purus, os municípios de Boca do Acre, Pauini, Lábrea, Canutama e Tapauá se encontram em estado de emergência. Conforme a Defesa Civil, são 38.695 pessoas afetadas nessa região.

Em Boca do Acre, o aumento do nível dos rios já causou a inundação de 90% da cidade, segundo a Defesa Civil do município, até o dia 27 de fevereiro. Por conta da cheia, a cidade teve o fornecimento de água potável suspenso.

Municípios em estados de atenção, emergência e transbordamento

Estado de emergência: De acordo com os dados divulgados pela Defesa Civil do Amazonas, os municípios que estão em situação de emergência estão localizados nas calhas dos rios Juruá e Purus. Ao total, 11 municípios dessas localidades já decretaram situação de emergência pela cheia dos rios.

  • Calha do Juruá – Guajará, Envira, Eirunepé, Itamarati, Ipixuna, Carauari e Juruá
  • Calha do Purus – Pauini, Boca do Acre, Lábrea e Canutama

Estado de transbordamento: Ainda na calha do Rio Purus, o município de Tapauá já decretou situação de emergência por inundação, de acordo com os dados da Defesa Civil do Amazonas.

  • Calha do Purus – Tapauá

Estado de atenção: Os dados apontam ainda que outros 29 municípios, localizados nas calhas do Rio Madeira, Baixo Amazonas, Alto Solimões e Baixo Solimões estão em situação de atenção até esta sexta-feira (26).

  • Calha do Madeira – Humaitá, Apuí, Manicoré, Novo Aripuanã, Borba e Nova Olinda do Norte
  • Calha do Baixo Amazonas – Barreirinha, Boa Vista do Ramos, Nhamundá, Urucará, São Sebastião do Uatumã, Parintins e Maués
  • Calha do Alto Solimões – Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Tabatinga, São Paulo de Olivença, Amaturá, Santo Antônio do Iça e Tonantins
  • Calha do Baixo Solimões – Codajás, Anori, Anamã, Caapiranga, Manacapuru, Iranduba, Manaquiri, Careiro Castanho e Careiro da Várzea
  • Calha do Juruá -Guajará, Envira, Eirunepé, Itamarati, Ipixuna, Carauari e Juruá
  • Calha do Purus – Pauini, Boca do Acre, Lábrea e Canutama
Eirunepé sofre com o aumento das águas. — Foto: Divulgação/Defesa Civil municipal

Nível dos rios por calhas

Bacia do Juruá

O nível do rio na região encontra-se em período de enchente. A estação referência, localizada em Cruzeiro do Sul registrou na data de hoje o nível de 10,99 m (baixou 0,13 m). No dia 22/03/2009, ano da maior enchente no município, registrou o nível de 11,35 m (0,36 m acima da cota atual).

O nível máximo histórico no rio Juruá tendo como referência o município de Cruzeiro do Sul deu-se no dia 13/05/2009 atingindo a máxima de 14,62 m, faltando 3,63 m para atingir a referida cota, enquadrando a região em Status de Transbordamento.

Bacia do Purus

O nível do rio Purus nas estações monitoradas encontra-se em processo regular de Enchente. A estação referência para região, localizada no município de Lábrea, registrou nesta sexta-feira (26), o nível de 21,45 m. No dia 22 de março de 1997, ano de início da maior enchente no município, registrou o nível de 20,98 m (0,47 m abaixo da cota atual).

A maior enchente registrada em Lábrea deu-se no dia 13 de abril de 1997, atingindo a cota de 21,79 m. Conforme os dados da Defesa Civil, faltam 0,34 m para atingir a referida cota, enquadrando a região em Status de Transbordamento.

Defesa Civil informou que 90% da cidade de Boca do Acre já foi afetada pela enchente — Foto: Defesa Civil/Boca do Acre

Bacia do Madeira

O Rio Madeira encontra-se em processo de enchente, segundo a Defesa Civil. A estação que monitora a região, no município de Humaitá, registrou nesta sexta (26) o nível de 21,74 m. No dia 22 de março de 2014, ano de início da maior enchente no município, o registro do nível era de 25,18 m (3,44 m acima da cota atual).

A maior enchente registrada em Humaitá deu-se no a no de 09de abril de 2014, quando atingiu 25,63 m. Conforme a Defesa Civil, faltam 3,89 m para atingir a cota máxima, enquadrando a região no Status de Atenção.

Bacia do Alto Solimões

Em processo natural de enchente, a estação que monitora a região do Alto Solimões, no município de Tabatinga, registrou nesta sexta (26), o nível de 11,31 m. No dia 22 de março de 1999, ano da maior enchente, o registro de nível foi de 12,07 m (0,76 m acima da cota atual).

A maior enchente registrada em Tabatinga aconteceu no dia 28 de maio 1999, atingindo 13,82 m. Segundo o órgão, faltam 2,51 m para atingir a referida cota, enquadrando a região em Status de Atenção.

Baixo do Solimões

Em processo de enchente, estação que monitora a região do Baixo Solimões, no município de Manacapuru, registrou nesta sexta (26), o nível de 17,81 m. No dia 25 de março de 2015, ano da maior enchente no município, registrou o nível de 17,55 m (0,26 m abaixo da cota atual).

O nível máximo registrado em Manacapuru aconteceu no dia 24 de junho de 2015, atingindo o nível 20,73 m. Segundo a Defesa Civil, faltam 2,92 m para atingir a referida cota, enquadrando a região no Status de Atenção.

Medidas para municípios afetados por cheia

No dia 8 de março, o governador Wilson Lima anunciou um pacote de medidas em uma operação que visa socorrer, inicialmente, os 19 municípios das calhas dos rios Juruá, Purus e Madeira, onde vivem aproximadamente 130 mil pessoas.

O investimento será de mais R$ 67 milhões em ações como ajuda humanitária, crédito e anistia de dívidas, além de instalação de abrigos e de estações de tratamento de água estão entre as ações da operação.


Fonte: G1 Amazonas

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