Ninguém aguenta mais Bolsonaro, nem os militares.

Ninguém aguenta mais Bolsonaro, nem os militares.

O presidente Bolsonaro sonhava chegar ao dia 31 de março cantando de galo, exaltando o golpe de 64 e todas as atrocidades cometidas num período de mais de 20 anos. Mas teve que se aliar ao Centrão, demitir aliados importantes, sem abdicar da tentação de  submeter aos seus caprichos “o meu Exército”, como ele costuma confundir uma instituição do Estado. Foi pressionado a afastar o excêntrico Ernesto Araújo do cargo de ministro das Relações Exteriores. Mas ao investir contra  o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo, pisou no calo dos militares.

A frase deixada na mensagem de despedida de Azevedo – “nesse período [no qual estive à frente da pasta da Defesa] preservei as Forças Armadas como instituições de Estado” –  revela claramente que havia  e há uma tentativa do presidente de romper os limites que separam a democracia de sistemas totalitários.

Se a intenção de Bolsonaro, ao demitir o ministro, era tirar do caminho o obstáculo que, no seu delírio absolutista, impedia que o Exército fosse seu, apontando agora a  caneta com facilidade para o comandante da força,  Edson Leal Pujol, protegido de Azevedo, pode ter cometido o maior erro de sua vida e criado outra crise, mais profunda, porque não é politica.  Mas pode fazer bem ao País se os comandantes militares colocarem sobre a mesa do presidente um pedido de demissão coletiva, como reação a eventual demissão de Pujol.

Na prática, os militares nunca apoiaram os  desvarios de um presidente que apresenta sintomas  de anormalidade de ordem psíquica.  E o Centrão, que segura os inúmeros pedidos de impeachment contra Bolsonaro, vai abrir a gaveta a qualquer momento.

Um governante fraco é bom para esse grupo acostumado  a sentar-se à mesa e se apropriar das benesses que o poder oferece. Mas o Centrão  é como as baratas. Sabe que o mito de que resistiria a um ataque nuclear é falso. Assim como não acredita na ideia de que chegaria a praia no caso de um naufrágio. Por isso simula que entra no barco, por isso fareja explosões que poderiam extingui-lo. E é especialista em desarmar bombas mortais, como está fazendo com a Lavajato.


Fonte: Portal do Holanda

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