Templos de Umbanda enfrentam dificuldades financeiras para atender devotos na pandemia

Templos de Umbanda enfrentam dificuldades financeiras para atender devotos na pandemia

MANAUS – Os templos de Umbanda têm se adaptado ao cenário epidemiológico para realizar as tradicionais celebrações de acordo com os protocolos sanitários. Em entrevista neste sábado, 24, responsáveis pelos terreiros buscam alternativas para atender os umbandistas, sob determinação da Lei nº 5.198, que prevê a realização de cultos em templos religiosos no Amazonas com 30% da capacidade de pessoas durante a pandemia da Covid-19.

Anteriormente à pandemia, os terreiros assim como templos de outras religiões também recebiam seus frequentadores em determinados dias da semana e celebravam datas comemorativas importantes. São destes eventos que as casas, além de reunir os devotos, adquirem a renda necessária para manter a estrutura dos locais, como conta a Lilian Pantoja, uma dos dirigentes do Templo de Umbanda Universalista Rosa dos Ventos (Tuurv).

“Nossa renda provém de mensalidade dos filhos, da cantina em dias de gira, de eventos e cursos e de doações.
Com a pandemia, deixamos de arrecadar com a cantina, os cursos reduziram, as mensalidades nem todos conseguem pagar e as doações diminuíram muito”, conta a dirigente.

Centro de Umbanda São Jorge Guerreiro, de Pai Reinaldo, faz cerimônias seguindo os protocolos sanitários (Reprodução/Arquivo Pessoal)

Capacidade reduzida

O coordenador-geral da Articulação Amazônica dos Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro de Matriz Africana (Aratrama), Hèviòssònon Alberto Jorge Silva, explica que a casa religiosa, sob comando dele, tem tomado precauções para evitar aglomerações, e adaptado celebrações tradicionais às determinações sanitárias. Eventos que costumavam receber centenas de pessoas agora são restritos a poucos celebrantes, que seguem as regras de distanciamento social.

“As casas mais tradicionais e mais antigas, com maior senso de responsabilidade, decidiram que até de fato ter um processo de vacinação em massa, elas vão ficar restritas aos ritos internos. Ontem, por exemplo, em minha casa, na festa de São Jorge, nós poderíamos ter recebido aqui cerca de 100, 150, 200 pessoas, mas nós nos reunimos apenas e tão somente a nove pessoas, apesar da capacidade da nossa casa nos permitir receber até 30 pessoas”, disse.

Atendimentos virtuais

Além dos eventos tradicionais sendo ajustados à nova realidade, os atendimentos e tratamentos nas casas de Umbanda são adaptados para continuar dando suporte a quem procura por ajuda. De acordo com Lilian Pantoja, práticas da religião como o Reiki – prática que usam imposição de mãos para transferir “energia vital universal” para o paciente com fins curativos – agora são realizadas de forma virtual.

“Toda quinta-feira nós tínhamos tratamentos presenciais de Reiki, quando as pessoas iam com os guias nas giras de Umbanda, muitos deles eram encaminhados para a cura com o nosso trabalho de Reiki. Então existia toda uma preparação para essas pessoas receberem esse tratamento, que agora é feito de forma virtual, a distância. Nós estamos trabalhando em pandemia, com listas enormes de Covid-19. Muito mais Covid-19 do que outras doenças, a gente até percebe o aumento ou diminuição do [casos] de Covid-19 por conta da nossa lista”, disse a dirigente do Tuurv.

Centro de Umbanda São Jorge Guerreiro, de Pai Reinaldo, faz cerimônias seguindo os protocolos sanitários (Reprodução/Arquivo Pessoal)

Lilian lembrou ainda que já faz um ano que as atividades presenciais do templo estão paradas e que a principal preocupação é com as pessoas do grupo de risco. “Tem muita gente que é do grupo de risco, idosos. Enfim, não dá pra arriscar. Essas giras ficaram suspensas já vai para um ano. No domingo a gira começava às seis horas da tarde, nosso portão começava a abrir para as pessoas três da tarde, carros fazendo fila. Eles se organizavam aqui no nosso espaço, que não é grande. Fora os médiuns da casa, aproximadamente 60 pessoas participavam”, disse Pantoja.

Templos religiosos

Igrejas e templos de qualquer culto foram consideradas entidades essenciais em períodos de calamidade pública no Amazonas de acordo com a Lei nº 5.198, de 29 de maio. Com a Lei, as atividades desenvolvidas nestes locais poderão ser realizadas em situações de calamidades futuras. Durante a pandemia de Covid-19, cultos em geral foram suspensos junto com atividades de outros setores por não estarem previstos entre serviços essenciais.

O funcionamento das igrejas e templos de qualquer culto proíbe a participação de idosos com 60 anos de idade ou mais, de pessoas que possuam algum problema de saúde ou estejam com algum sintoma de gripe ou Covid-19, dos que estejam convivendo com infectados pelo coronavírus, de pessoas que tenham reprovação da família para participar presencialmente e de crianças.

Os cultos devem ser realizados com a capacidade de pessoas limitada a 30% da igreja ou templo e com o uso de máscaras de proteção por todos que estejam no local. Entre uma pessoa e outra haverá o espaçamento de três poltronas para os lados esquerdo e direito, como também para frente e para trás. Os organizadores devem tomar providências para que os fiéis, ao final das celebrações, mantenham o distanciamento de 1,5 metro, não fiquem aglomerados e tenham acesso a álcool em gel 70% e guardanapos de papel.


Fonte: Revista Cenarium

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