
O clima de terror que dominou Manaus neste domingo é consequência da mistura da má politica com milícias e o crime organizado. Na prática, o que se viu foi o Estado, enquanto poder, povo, território, governo e leis, portanto legalmente constituído, capitular diante de outro estado, paralelo, funcionando de forma colateral, com efeitos colaterais danosos para a cidade.
A audácia com que esse “exército”de soldados do tráfico circulou por Manaus, incendiando carros, caixas eletrônicos e monumentos em praça pública pode até ser relativizada pelo governo do Amazonas, tomado de surpresa. Mas questiona-se a serventia de uma Secretaria de Inteligência, que custa caro ao contribuinte e é incapaz de prever ocorrências desse tipo;
Questiona-se a justificativa que os agentes do caos deram para o terror que espalharam na cidade: a atuação do secretário de Segurança, Coronel Bonates. Como se Bonates lhes devesse algum favor, ou tenha quebrado algum acordo.
Evidentemente que não se acredita nessa hipótese, mas a citação do nome do secretário, de forma insistente pelos terroristas já indica a necessidade de uma investigação por parte do Ministério Público.
No final, talvez se confirme o que se acredita: que Bonates é eficiente e sua atuação incomoda esse estado paralelo. Mas se indicar outra coisa?
O caos pode continuar por vários dias – é o que prometem os terroristas do CV.
O Estado, enquanto poder constituído, com suas regras que balizam o comportamento da sociedade, deve se sobrepor ao estado paralelo, que demonstrou ser mais organizado, para desespero de cidadãos que em muitas ruas de Manaus tiveram o direito constitucional de ir e vir declarado inválido.
Não basta conter o avanço desse exército sobre a cidade, reduzir ou eliminar os incêndios a ônibus, a invasão de bancos e destruição de monumentos. Essa é uma guerra que o Estado legalmente constituído não pode mais acenar com tréguas. É uma guerra para ser vencida.
Uma guerra que precisa de um comandante habilitado para vencê-la. Ou teremos mais uma razão para nos confinar em casa.
Essa violência, que está aí todos os dias, mas só espanta quando o Estado é confrontado, faz tempo produz corpos mutilados, arregimenta jovens pobres na periferia e cobra um preço pela vida nos bairros. Mas agora teve uma serventia: muita gente “boa” saiu do conforto neste domingo e despertou para uma realidade cruel: a vida ficou mais frágil, nossos filhos mais expostos, nossas esperanças encolheram.
Hora de reagir, de exigir um governo eficiente, insuspeito, capaz de proteger cada cidadão, rico ou pobre.
Fonte: Portal do Holanda
