Uma mulher é vítima de feminicídio a cada 10 minutos no mundo, aponta ONU

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Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Redação – MANAUS (AM) – Quase 50 mil mulheres e meninas foram mortas por parceiros íntimos ou familiares em 2024, segundo o relatório mais recente do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, sigla em inglês) e da Organização das Nações Unidas (ONU) Mulheres. O documento, intitulado Feminicides in 2024, alerta que 137 vítimas perderam a vida todos os dias dentro de casa, cenário que os especialistas classificam como uma emergência global e persistente.

O relatório destaca que 60% de todos os homicídios de mulheres em 2024 ocorreram no ambiente doméstico. A África lidera em números absolutos e taxas populacionais, com cerca de 22,6 mil vítimas; nenhuma região ficou imune. “Esta forma extrema de violência de gênero continua a afetar mulheres e meninas em todas as partes do mundo”, explicou o UNODC, ao reforçar que os dados ainda podem estar subestimados pela falta de registros adequados.

A pesquisa também indica que o lar segue sendo o espaço mais perigoso para mulheres e meninas. “O maior número de mortes ocorre nas mãos de parceiros íntimos ou familiares próximos”, afirmou a equipe de análise do relatório, ressaltando que esses assassinatos não são episódios isolados, mas, em geral, a etapa final de ciclos prolongados de agressões.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O documento revela ainda que, na Europa e nas Américas, a maioria dos casos envolve parceiros íntimos: 64% e 69%, respectivamente. “Esses números reforçam a necessidade de políticas de prevenção que considerem tanto as relações amorosas quanto o contexto familiar ampliado”, destacou a agência.

Riscos conhecidos, prevenção insuficiente
Os especialistas identificam padrões recorrentes que antecedem o feminicídio: histórico de violência, ameaças, tentativas recentes de separação e controle coercitivo. “Em muitos casos, o feminicídio poderia ter sido prevenido com intervenções oportunas e adequadas”, alertou o relatório.

A violência facilitada por tecnologia aparece como novo agravante. O estudo cita perseguições digitais, monitoramento e disseminação de imagens íntimas sem consentimento como comportamentos que podem evoluir para agressões fatais. “As manifestações online da violência frequentemente se traduzem em violência física, inclusive letal”, aponta o documento.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Apesar de políticas e legislações criadas em diversos países, os feminicídios permanecem alarmantemente altos. A ONU destaca a necessidade urgente de reforçar medidas como ordens de proteção, restrições ao acesso a armas de fogo e sistemas de avaliação de risco. “A posse de armas aumenta significativamente a probabilidade de uma mulher ser morta pelo parceiro”, afirmaram os pesquisadores, ao defender a adoção de regulações mais rígidas.

Outro ponto crítico é a falta de dados consistentes. Apenas 93 países conseguiram produzir informações sobre feminicídios íntimos ou familiares ao longo dos últimos anos. “Sem dados confiáveis, os Estados não conseguem compreender plenamente a magnitude do problema nem formular respostas eficazes”, observou o UNODC.

Fonte: AGÊNCIA CENARIUM

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