
Redação – Questionado sobre o desempenho da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), que utiliza escala de conceitos de 1 a 5 e atribuiu nota 3 à instituição, o governador do Amazonas, Wilson Lima (União), afirmou, nesta terça-feira, 3, que o resultado supera o desempenho de diversas instituições privadas e deve ser analisado dentro de um contexto mais amplo dos avanços registrados na educação pública estadual. A declaração foi feita após a Solenidade de Abertura dos Trabalhos da 4ª Sessão Legislativa e a leitura da Mensagem Governamental, na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).
Ao responder ao questionamento de um jornalista durante coletiva de imprensa, o governador destacou ações e investimentos realizados pela gestão na área educacional e avaliou que o resultado reflete mudanças estruturais no acesso ao ensino superior no Estado, especialmente no perfil dos estudantes que ingressam nas universidades públicas. “Eu imagino que essa pontuação é de 1 a 5, né? Tá bem melhor que muitas universidades particulares […] Hoje, no Estado do Amazonas, a maioria dos aprovados na UEA são alunos de escolas públicas”, destacou.

De acordo com os dados do Enamed, a UEA alcançou conceito 3, resultado que representa evolução no desempenho do curso de Medicina em relação a avaliações anteriores, quando a instituição obteve conceito 1, em 2019, e conceito 2, em 2023. Para o governador, esse avanço está relacionado a investimentos na organização pedagógica, na qualificação do corpo docente e em políticas de permanência estudantil.
Wilson Lima também mencionou casos recentes de estudantes beneficiados por políticas públicas que obtiveram destaque em processos seletivos da UEA e da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Segundo ele, os indicadores apontam para avanços no setor educacional, embora ainda existam desafios. Ele acrescentou, ainda, que a educação enfrenta novas demandas, sobretudo diante das transformações tecnológicas, e afirmou que a incorporação da Inteligência Artificial (IA) aos processos de ensino é um dos próximos desafios para o Estado.
UEA no Enamed
O curso de Medicina da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) obteve conceito 3 no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). A avaliação, divulgada no dia 19 de janeiro, foi aplicada a estudantes concluintes e analisa o domínio de conteúdos essenciais, a capacidade de aplicação prática e o desempenho clínico. Ao todo, 113 alunos das turmas 38 e 39 participaram do exame. No âmbito do Conselho Estadual de Educação (CEE), o curso de Medicina da UEA possui nota 4.
O Enamed avalia competências relacionadas à formação médica, incluindo conhecimentos teóricos, habilidades clínicas, raciocínio diagnóstico, tomada de decisão, ética profissional e compreensão do funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS). Os resultados servem como referência para a análise da qualidade dos cursos de Medicina e para subsidiar a formulação de políticas públicas voltadas à formação de profissionais de saúde no Brasil.

Instituições privadas
A avaliação aplicada em 2025 registrou a participação de 216 concluintes do curso de Medicina da Faculdade Metropolitana de Manaus (Fametro). Desse total, 84 estudantes alcançaram nota igual ou superior ao nível de proficiência estabelecido pelo exame, o que corresponde a 38,9% dos participantes. Já a Universidade Nilton Lins contou com 141 concluintes inscritos na avaliação, dos quais 55 atingiram o nível de proficiência, percentual equivalente a 39,0%. Ambas insituições privadas formam médicos no Amazonas e obtiveram conceito nota 1.
De acordo com o Ministério da Educação (MEC), os resultados obtidos pelas duas instituições podem ensejar a aplicação de medidas administrativas, que incluem a redução de até 50% das vagas ofertadas nos cursos e a suspensão da participação em programas federais, como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), além de outras iniciativas vinculadas ao governo federal.
Avaliação nacional
Em âmbito nacional, o exame avaliou 89.024 estudantes e profissionais de Medicina em todo o País. Desse total, 75% atingiram desempenho considerado proficiente. Entre os 39.258 estudantes concluintes avaliados, 67% alcançaram o nível de proficiência. Já entre os médicos formados inscritos no Exame Nacional de Residência (Enare), que compõem o público geral, o percentual de proficiência foi de 81%.
Os dados divulgados pelo MEC indicam que 24 cursos de Medicina (7,1%) receberam conceito 1, correspondente a até 39,9% de estudantes proficientes. O conceito 2 foi atribuído a 83 cursos (23,6%), com percentuais entre 40% e 59,9%. Outros 80 cursos (22,7%) obtiveram conceito 3, com desempenho entre 60% e 74,9% de proficiência.
Na faixa superior da avaliação, 114 cursos (33,0%) alcançaram conceito 4, registrando entre 75% e 89,9% de estudantes proficientes. Já o conceito máximo, 5, foi atribuído a 49 cursos (13,6%), que apresentaram percentual igual ou superior a 90% de alunos com desempenho proficiente.
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Fonte: AGÊNCIA CENARIUM
