
Redação – As negociações sobre o futuro financeiro da Itaipu Binacional entraram em uma fase decisiva. O diretor-geral brasileiro da usina, Enio Verri, confirmou nesta segunda-feira (13), em Foz do Iguaçu, que a energia gerada pela hidrelétrica terá uma redução significativa de preço a partir de 2027. Segundo o executivo, o objetivo é que Itaipu passe a operar com a menor tarifa do setor elétrico brasileiro.
O Fim da Dívida e o Novo Cenário
A mudança estrutural ocorre devido à quitação da dívida histórica de construção da usina e à revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu, que completa 50 anos. Sem o peso do financiamento da obra, a composição do custo da energia passará a refletir apenas as despesas operacionais e os investimentos socioambientais.
“A partir de 2027, seremos a menor tarifa do país. Isso é um fato dado, não há mais o que discutir”, afirmou Verri, projetando um valor entre US$ 10 e US$ 12 por kW/mês.

O Impasse com o Paraguai
Embora o otimismo brasileiro seja evidente, a negociação exige equilíbrio diplomático. O Brasil e o Paraguai possuem visões distintas sobre o excedente de energia:
- Brasil: Prioriza a “modicidade tarifária”, buscando reduzir o custo para o consumidor final e para a indústria nacional.
- Paraguai: Historicamente, prefere tarifas mais elevadas para garantir arrecadação voltada a investimentos internos, uma vez que não consome toda a sua cota de 50% e vende o excedente ao Brasil.
Uma das soluções que ganham força é permitir que o Paraguai venda seu excedente diretamente no mercado livre brasileiro, o que poderia destravar o acordo e beneficiar a competitividade de preços.
Entenda os Números da Tarifa
Atualmente, Itaipu opera sob um acordo transitório. Veja a comparação dos valores:
| Período | Valor (kW/mês) | Contexto |
| Atual (2024-2026) | US$ 17,66 | Tarifa de repasse subsidiada por aportes da usina. |
| Projeção 2027 | US$ 10,00 a US$ 12,00 | Meta baseada apenas em custos operacionais. |
Impacto na Ponta: O que muda para você?
A redução na tarifa de Itaipu impacta diretamente as contas de luz de milhões de brasileiros, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, atendidas pelas distribuidoras cotistas. Além do alívio no bolso do cidadão, a medida é vista como um insumo estratégico para a reindustrialização do Brasil, tornando o custo de produção mais competitivo.
A expectativa é que o novo modelo tarifário e a redação final do Anexo C sejam anunciados até dezembro de 2026, após a validação pelas altas partes contratantes (os governos de ambos os países).
Fonte: Agência Brasil
