
Redação – Os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (17), revelam um Brasil em profunda transição demográfica e social. O país caminha para um perfil mais maduro, com um ritmo de crescimento populacional cada vez mais lento e mudanças significativas na composição étnica e nos arranjos familiares.
1. Demografia: O fim do “país dos jovens”?
Pela primeira vez em décadas, o Brasil consolida uma tendência de crescimento abaixo de 1%. Em 2025, o total de residentes atingiu 212,7 milhões, um avanço de apenas 0,39% frente ao ano anterior.
- A pirâmide invertida: O grupo de brasileiros com menos de 40 anos encolheu 6,1% desde 2012.
- O topo alargado: Em contrapartida, a fatia da população com 60 anos ou mais saltou de 11,3% para 16,6% no mesmo período.
- Contraste Regional: Enquanto o Norte e o Nordeste ainda preservam as maiores concentrações de crianças e adolescentes, o Sul e o Sudeste lideram o ranking de envelhecimento, com mais de 18% de idosos.
2. Identidade: Mais autodeclaração preta e parda
Houve uma mudança expressiva na percepção de cor e raça. A população que se identifica como branca recuou para 42,6% (era 46,4% em 2012). No sentido oposto, a autodeclaração de pessoas pretas subiu de 7,4% para 10,4%.
Destaque: No Sul, tradicionalmente de maioria branca, houve um aumento notável da população parda, que passou de 16,7% para 22%.
3. A Revolução do “Viver Sozinho” e o Mercado Imobiliário
A estrutura dos lares brasileiros está mudando. O modelo tradicional de família (casais com filhos) ainda é maioria (65,6%), mas vem perdendo espaço para a moradia unipessoal.
- Solitude em alta: Quase 20% dos domicílios brasileiros são ocupados por apenas uma pessoa.
- Perfil do morador solo: Enquanto homens que moram sozinhos costumam estar na fase adulta (30 a 59 anos), a maioria das mulheres nessa condição possui 60 anos ou mais.
- Aluguel vs. Casa Própria: Aumentou a dificuldade de acesso à casa própria quitada. O percentual de imóveis alugados subiu para 23,8%, enquanto o de casas pagas caiu para 60,2%.
- Verticalização: Embora 82,7% dos brasileiros ainda vivam em casas, a proporção de moradores de apartamentos subiu para 17,1%.
4. Infraestrutura: Avanços com abismos regionais
O acesso a serviços básicos melhorou, mas as disparidades entre o Sudeste e o Norte continuam alarmantes:
| Serviço | Média Nacional | Destaque Positivo | Ponto Crítico |
| Água Encanada | 86,1% | Sudeste (92,4%) | Norte (60,9%) |
| Saneamento | 71,4% | Sudeste (90,7%) | Norte (30,6%) |
| Energia Elétrica | Quase 100% | Áreas Urbanas | Norte Rural (15,1% sem luz) |
5. Consumo e Bens Duráveis
O brasileiro está equipando melhor a sua casa, com destaque para a automação e mobilidade:
Transporte: Quase metade dos lares (49,1%) possui um carro, e a presença de motocicletas já atinge 26,2% das residências, refletindo a importância desses veículos para o trabalho e deslocamento.
Conforto: 72,1% das casas já possuem máquina de lavar (um salto significativo comparado aos 63% de 2016).
