
Redação – Um novo levantamento do Datafolha revela que o endividamento é a realidade da maioria absoluta no Brasil. Atualmente, dois em cada três cidadãos possuem algum tipo de débito financeiro, desde empréstimos bancários até compromissos com amigos e familiares. O cenário é agravado pela inadimplência: 21% da população admite estar com contas atrasadas.
O Mapa das Dívidas e o Perigo do Cartão
A pesquisa detalha onde o brasileiro mais se complica financeiramente. Entre os tipos de dívidas mais comuns com pagamentos em atraso, destacam-se:
- Empréstimos pessoais (amigos/família): 41% de inadimplência.
- Cartão de Crédito (parcelado): 29%.
- Empréstimos Bancários: 26%.
- Carnês de Lojas: 25%.
O uso do crédito rotativo — quando se paga apenas o mínimo da fatura — também preocupa. Embora limitado a 100% de juros ao ano por novas normas, ele segue sendo a linha mais cara do país, utilizada por 27% dos entrevistados.
Sobrevivência e Cortes no Orçamento
Para quase metade dos brasileiros (45%), a situação financeira é classificada como “apertada” ou “severa”. Esse sufoco financeiro reflete-se diretamente nos hábitos de consumo básicos:
| Tipo de Corte | Percentual de Brasileiros |
| Lazer e entretenimento | 64% |
| Comer fora de casa | 60% |
| Troca de marcas por mais baratas | 60% |
| Redução na compra de alimentos | 52% |
| Economia em serviços (Água/Luz/Gás) | 50% |
| Redução na compra de remédios | 38% |
A crise atinge até as contas essenciais: 28% estão com serviços de utilidade pública atrasados, liderados por contas de telefone e internet, seguidos por impostos (IPTU/IPVA) e energia elétrica.
Diagnóstico de Especialistas: Por que o endividamento cresceu?
Para a economista Isabela Tavares, da Tendências Consultoria, o fenômeno é resultado de uma combinação amarga: maior acesso ao crédito nos últimos anos somado à alta dos juros e da inflação. Já Lauro Gonzalez, da FGV, pontua que a falta de educação financeira e o atual cenário macroeconômico (com juros elevados e inflação) empurram o cidadão para modalidades emergenciais de crédito.
“Não estamos necessariamente em uma crise de crédito, mas há uma queda nítida na sensação de bem-estar da população devido ao peso dessas dívidas”, afirma Gonzalez.
Planejamento e Insegurança Futura
A pesquisa acende um alerta sobre a fragilidade financeira das famílias:
- Sem Reservas: 66% dos brasileiros não possuem qualquer economia para emergências.
- Controle de Gastos: 23% admitem não fazer nenhum tipo de acompanhamento de suas despesas.
- Dependência: 51% concordam totalmente que é impossível fechar o mês sem o auxílio do cartão de crédito.
Metodologia: O Datafolha ouviu 2.002 pessoas em 117 cidades entre os dias 8 e 9 de abril. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Fonte: Revista Cenarium
