Retrato da Violência Rural: Mortes no Campo Dobram em 2025

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Foto: Bruno Mancinelle | Casa de Governo

Redação – Apesar de uma redução no volume total de registros de conflitos agrários no último ano, a letalidade e a brutalidade contra trabalhadores rurais e comunidades tradicionais atingiram patamares alarmantes. Segundo a 40ª edição do relatório “Conflitos no Campo Brasil”, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), o número de assassinatos saltou de 13 para 26 vítimas entre 2024 e 2025 — um aumento de 100%.

O Cenário Crítico da Amazônia

A região da Amazônia Legal continua sendo o epicentro da violência letal, concentrando 16 dos 26 homicídios registrados.

  • Pará: 7 mortes
  • Rondônia: 7 mortes
  • Amazonas: 2 mortes

Especialistas da CPT apontam que esse fenômeno é impulsionado por uma coalizão de interesses que envolvem a grilagem de terras, o crime organizado e a negligência de setores estatais, focados na expropriação de territórios protegidos para fins de expansão capitalista.

Intensificação de Prisões e Abusos

O levantamento destaca que o Estado e o setor privado têm endurecido táticas de coerção. Enquanto o número total de conflitos caiu 28% (de 2.207 para 1.593), as violações de direitos humanos individuais dispararam:

Tipo de Ocorrência20242025Variação
Prisões71111+56%
Cárcere Privado1105+10.400%
Humilhação5142+2.740%

Exportar para as Planilhas

De acordo com Gustavo Arruda, documentalista do Cedoc/CPT, o aumento explosivo nos casos de humilhação e cárcere está atrelado a ações policiais desproporcionais, como a Operação Godos em Rondônia e intervenções contra povos originários na Bahia.


Radiografia dos Conflitos

A disputa pela terra permanece como o principal motor da discórdia, representando 75% das ocorrências.

  1. Conflitos por Terra (1.186 casos): Marcados por invasões, uso de agrotóxicos como arma e atuação de pistoleiros. Fazendeiros figuram como os principais agressores (515 casos).
  2. Conflitos pela Água (148 casos): Envolvem a poluição de recursos hídricos e o cerceamento do acesso, tendo mineradoras e grandes empresários como protagonistas.
  3. Trabalho Escravo: Houve um crescimento de 5% nas ocorrências e de 23% no número de pessoas resgatadas.

Destaque Crítico: O resgate de 586 trabalhadores na construção de uma usina em Porto Alegre do Norte (MT) foi o maior caso do ano. As vítimas enfrentavam condições degradantes, sem acesso básico a água, luz ou alimentação adequada.


Nova Ferramenta: Observatório Socioambiental

Em uma iniciativa conjunta com o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), a CPT lançou o Observatório Socioambiental. A plataforma cruza dados históricos (desde 1980) para expor a correlação direta entre a expansão das commodities agrícolas e o aumento do desmatamento e das violações de direitos humanos no interior do Brasil.

O objetivo é fornecer transparência e ferramentas para que a sociedade civil possa monitorar e combater o avanço da violência sistemática contra indígenas, quilombolas e pequenos produtores.

Fonte: Agência Brasil

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