Solo de Manaus sofre as consequências de sepultamentos em massa na pandemia, alerta MP-AM

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Foto: Ricardo Oliveira/CENARIUM

Redação – A Justiça do Amazonas estabeleceu um prazo de 30 dias para que a prefeitura regularize o licenciamento ambiental do maior cemitério da capital; falta de controle sobre o “necrochorume” ameaça o lençol freático.

As imagens das valas comuns no Cemitério Nossa Senhora Aparecida, no bairro Tarumã, que rodaram o mundo em 2020 como símbolo da tragédia da Covid-19, ganharam um novo e preocupante capítulo jurídico e ambiental. Seis anos após o início da crise sanitária, o Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) aponta que o enterro acelerado de milhares de vítimas, sem o devido preparo do solo, agravou severamente a contaminação ambiental na Zona Oeste de Manaus.

Irregularidade crônica e risco hídrico

Sob a administração da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp), o campo santo opera, segundo o MP-AM, sem qualquer licença ambiental expedida pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). O principal temor das autoridades e especialistas é a infiltração do necrochorume — líquido rico em microrganismos e produtos químicos resultante da decomposição — diretamente nas águas subterrâneas.

“A operação de um cemitério sem o devido licenciamento representa um risco contínuo e progressivo”, afirmou o juiz Moacir Pereira Batista, da Vara Especializada do Meio Ambiente (Vema).

Em decisão proferida no último dia 13, o magistrado acatou o pedido do MP-AM e determinou que a Semulsp comprove, em até um mês, o pedido de licenciamento. Caso descumpra a ordem, o município enfrentará uma multa diária de R$ 50 mil.

O peso da história e a falta de mitigação

Durante o pico da pandemia, Manaus viu seu sistema funerário colapsar, saltando de uma média de 29 sepultamentos diários em 2019 para picos que ultrapassaram 300 mortes por dia em 2021. O pesquisador Jesem Orellana, da Fiocruz, ressalta que o período de chuvas na região amazônica acelera o processo de lixiviação desses poluentes.

Principais riscos e soluções apontadas por especialistas:

  • Contaminação biológica: Infiltração de patógenos no lençol freático por falta de impermeabilização.
  • Aceleração sazonal: O período chuvoso em Manaus facilita o transporte de resíduos da decomposição para corpos d’água.
  • Alternativas modernas: Implementação de drenagem química, cemitérios verticais e incentivo à cremação.

Dados e Silêncio

Apesar da gravidade do cenário jurídico e ambiental, a Semulsp não se manifestou sobre a decisão até o momento. Atualmente, o quadro epidemiológico da Covid-19 no Amazonas é de estabilidade, com apenas dois casos registrados em 2026, contrastando com o saldo histórico de mais de 14,5 mil óbitos desde 2020.

O processo movido pelo Ministério Público sublinha que a “emergência” de seis anos atrás não pode mais servir de justificativa para o descaso administrativo com as normas de proteção ambiental no presente.


Comparativo de Dados: Crise vs. Normalidade

PeríodoMédia de Enterros/DiaStatus Sanitário
2019 (Pré-pandemia)29Normalidade
Abril de 2020> 100Colapso (Valas Comuns)
Pico de 2021> 300Epicentro Mundial
2026 (Atual)Licenciamento sob intervenção judicial

Fonte: AGÊNCIA CENARIUM

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