Congresso decide hoje futuro de PL que altera cálculo de penas para crimes contra a democracia

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Foto: Congresso analisa veto de Lula ao PL da Dosimetria, proposta que pode beneficiar Bolsonaro e aliados (Ton Molina/STF)

Redação – O Congresso Nacional se reúne nesta quinta-feira, 30, para deliberar sobre o veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Projeto de Lei (PL) 2162/2023, apelidado de PL da Dosimetria. A proposta altera a forma como a Justiça calcula o tempo de prisão para crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e tentativa de golpe de Estado, o que pode impactar diretamente as sentenças de investigados e condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

Foto: Plenário do Senado (Jefferson Rudy/Agência Senado)

As principais mudanças propostas

Diferente da legislação atual, que permite o acúmulo de penas para diferentes crimes cometidos em uma mesma ação, o projeto estabelece novos critérios que tendem a suavizar as punições:

  • Substituição da soma de penas: Em vez de somar as condenações por crimes distintos ocorridos no mesmo contexto, o PL prevê a aplicação apenas da pena mais alta, com um acréscimo percentual (regra do concurso formal).
  • Atenuante para multidões: O texto introduz uma redução de um terço a dois terços da pena para crimes cometidos em contexto de multidão, desde que o réu não seja identificado como líder ou financiador do movimento.
  • Progressão de regime: A proposta também torna mais ágil a transição do regime fechado para o semiaberto, diminuindo o percentual de pena que precisa ser cumprido antes do benefício.

Impacto no caso de Jair Bolsonaro e demais condenados

Se o veto for derrubado, a nova regra terá efeito retroativo por ser mais benéfica ao réu. No caso do ex-presidente Jair Bolsonaro — cuja soma de penas atinge 27 anos e três meses — a revisão poderia reduzir o tempo total de condenação significativamente. Atualmente, a previsão de progressão para o regime semiaberto seria em 2033; com o PL, esse prazo poderia ser antecipado.

Foto: O ex-presidente Jair Bolsonaro (Beto Barata/PL)

Além do ex-presidente, estima-se que cerca de 180 pessoas sejam afetadas pela medida, incluindo 114 que se encontram em regime fechado e dezenas em prisão domiciliar ou preventiva.

O conflito entre Poderes

A decisão de Lula pelo veto total baseou-se no argumento de que abrandar as punições para crimes contra a ordem democrática representaria um “retrocesso histórico”. Segundo o Executivo, a medida feriria os princípios da proporcionalidade e da isonomia, podendo incentivar novas investidas contra as instituições.

O que é necessário para derrubar o veto: Para que o projeto passe a valer apesar da negativa presidencial, é necessária a maioria absoluta nas duas casas legislativas:

  1. Câmara dos Deputados: 257 votos.
  2. Senado Federal: 41 votos.

Se esses números forem atingidos, o veto é rejeitado e o texto segue para promulgação, alterando imediatamente o Código Penal e o processo de execução das penas no país.

Fonte: AGÊNCIA CENARIUM

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