Barreira Sanitária: União Europeia exclui Brasil de lista de exportadores por uso de antimicrobianos

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Foto: Foto de David Foodphototasty na Unsplash

Redação – O setor pecuário brasileiro sofreu um duro golpe nesta terça-feira (12). Em uma atualização de suas normas de segurança alimentar, a União Europeia (UE) retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para o bloco. A medida, que passa a valer em 3 de setembro, isola o Brasil de seus vizinhos do Mercosul — Argentina, Paraguai e Uruguai — que permanecem com sinal verde para o mercado europeu.

O Nó da Questão: Rastreabilidade e Medicamentos

O motivo central do veto é a falta de garantias sobre o controle de antimicrobianos no ciclo de vida dos rebanhos. A Europa veta substâncias utilizadas para acelerar o crescimento dos animais (promotores de desempenho), como a virginiamicina e a avoparcina.

Embora o Ministério da Agricultura brasileiro tenha proibido alguns desses componentes em abril, a legislação europeia exige uma vigilância que cubra todo o histórico do animal.

“Para retornar ao mercado europeu, o Brasil precisa provar conformidade absoluta. Assim que a segurança for demonstrada, as exportações podem ser retomadas”, pontuou Eva Hrncirova, porta-voz da Comissão Europeia.

Impacto no Gigante do Agro

A exclusão não é apenas um detalhe burocrático; é um revés comercial estratégico. A União Europeia é o segundo maior destino global para as carnes brasileiras em valor total. Estão na linha de frente do bloqueio:

  • Carne bovina, de aves e equinos;
  • Ovos e mel;
  • Produtos de aquicultura.

A Diplomacia e o “Compliance”

A decisão ocorre em um momento delicado, apenas 12 dias após a assinatura do acordo comercial entre Mercosul e UE. Contudo, especialistas como Leonardo Munhoz (FGV) alertam que a medida é estritamente sanitária, e não política.

Para o comissário europeu de Agricultura, Christophe Hansen, a exclusão reafirma o rigor do bloco: “Nossos agricultores seguem padrões rigorosos; é legítimo que o que vem de fora siga a mesma régua”.

O Caminho de Volta

O Brasil agora corre contra o tempo. Existem duas rotas principais para reverter o cenário:

  1. Mudança Legislativa: Proibir terminantemente todas as substâncias listadas pelo bloco.
  2. Segregação de Cadeia: Implementar sistemas de rastreabilidade que garantam que a carne exportada nunca teve contato com tais medicamentos — uma opção considerada cara e complexa.

Destaque: As substâncias na “lista negra” da UE

  • Virginiamicina
  • Avoparcina
  • Bacitracina
  • Tilosina
  • Espiramicina
  • Avilamicina

Até o fechamento desta edição, o Ministério da Agricultura brasileiro ainda não havia se pronunciado oficialmente sobre a estratégia para contornar a suspensão.

Fonte: G1 Amazonas

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