
Redação – O setor pecuário brasileiro sofreu um duro golpe nesta terça-feira (12). Em uma atualização de suas normas de segurança alimentar, a União Europeia (UE) retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para o bloco. A medida, que passa a valer em 3 de setembro, isola o Brasil de seus vizinhos do Mercosul — Argentina, Paraguai e Uruguai — que permanecem com sinal verde para o mercado europeu.
O Nó da Questão: Rastreabilidade e Medicamentos
O motivo central do veto é a falta de garantias sobre o controle de antimicrobianos no ciclo de vida dos rebanhos. A Europa veta substâncias utilizadas para acelerar o crescimento dos animais (promotores de desempenho), como a virginiamicina e a avoparcina.
Embora o Ministério da Agricultura brasileiro tenha proibido alguns desses componentes em abril, a legislação europeia exige uma vigilância que cubra todo o histórico do animal.
“Para retornar ao mercado europeu, o Brasil precisa provar conformidade absoluta. Assim que a segurança for demonstrada, as exportações podem ser retomadas”, pontuou Eva Hrncirova, porta-voz da Comissão Europeia.
Impacto no Gigante do Agro
A exclusão não é apenas um detalhe burocrático; é um revés comercial estratégico. A União Europeia é o segundo maior destino global para as carnes brasileiras em valor total. Estão na linha de frente do bloqueio:
- Carne bovina, de aves e equinos;
- Ovos e mel;
- Produtos de aquicultura.
A Diplomacia e o “Compliance”
A decisão ocorre em um momento delicado, apenas 12 dias após a assinatura do acordo comercial entre Mercosul e UE. Contudo, especialistas como Leonardo Munhoz (FGV) alertam que a medida é estritamente sanitária, e não política.
Para o comissário europeu de Agricultura, Christophe Hansen, a exclusão reafirma o rigor do bloco: “Nossos agricultores seguem padrões rigorosos; é legítimo que o que vem de fora siga a mesma régua”.
O Caminho de Volta
O Brasil agora corre contra o tempo. Existem duas rotas principais para reverter o cenário:
- Mudança Legislativa: Proibir terminantemente todas as substâncias listadas pelo bloco.
- Segregação de Cadeia: Implementar sistemas de rastreabilidade que garantam que a carne exportada nunca teve contato com tais medicamentos — uma opção considerada cara e complexa.
Destaque: As substâncias na “lista negra” da UE
- Virginiamicina
- Avoparcina
- Bacitracina
- Tilosina
- Espiramicina
- Avilamicina
Até o fechamento desta edição, o Ministério da Agricultura brasileiro ainda não havia se pronunciado oficialmente sobre a estratégia para contornar a suspensão.
Fonte: G1 Amazonas
