Prisão de Henrique Vorcaro: Entenda o elo entre o mercado de carbono no Amazonas e as fraudes no Banco Master

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Foto: Reprodução/ Redes Sociais | Composição: Luan Araújo/CENARIUM

Redação – A sexta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (14), trouxe novamente ao centro das atenções a figura de Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro. A prisão, determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, fundamenta-se em investigações que conectam o uso estratégico de créditos de carbono no Amazonas a um esquema bilionário de manipulação financeira e atividades de milícia digital.

A Conexão Amazônica: O Projeto em Apuí

O envolvimento de Henrique Vorcaro com o estado do Amazonas remete à Fazenda Floresta Amazônica, localizada no município de Apuí. Segundo investigações iniciadas no início de 2024, a empresa Alliance Participações — controlada pela família Vorcaro e presidida por Henrique — adquiriu 80% dos créditos de carbono da propriedade em 2022.

Foto: (Reprodução/Redes Sociais)

O que parecia um investimento ambiental, contudo, é apontado pela Polícia Federal (PF) como peça de uma engrenagem financeira:

  • Valorização Artificial: Os ativos da fazenda foram usados para estruturar fundos que chegaram a ser avaliados em R$ 45,5 bilhões, sem que houvesse comercialização real desses créditos.
  • Irregularidades Fundiárias: Há suspeitas de que parte da fazenda esteja sobreposta a terras públicas federais (assentamento Aripuanã-Guariba), configurando possível grilagem.
  • A “Ciranda Financeira”: O Banco Central e a PF apontam que gestoras como a Reag (liquidada em janeiro de 2026) utilizavam esses créditos “podres” ou fictícios para inflar balanços do Banco Master e ocultar movimentações ilícitas.

O Papel de Operador e a “Turma”

No despacho judicial, o ministro André Mendonça detalha que Henrique Vorcaro não era apenas um investidor passivo. A PF o descreve como um operador financeiro e demandante de serviços de uma organização criminosa dividida em dois núcleos operacionais:

  1. “A Turma”: O braço operacional que incluía policiais federais e integrantes do jogo do bicho. Suas funções envolviam ameaças, extorsões e acesso a dados sigilosos para proteger os interesses do grupo.
  2. “Os Meninos”: O braço tecnológico, composto por hackers responsáveis por invasões de sistemas, monitoramento digital e derrubada de perfis em redes sociais.

Relatórios do Coaf reforçam as suspeitas de ocultação patrimonial, citando que a empresa Multipar, presidida por Henrique, movimentou mais de R$ 1 bilhão em transações internas entre contas do próprio grupo familiar entre 2020 e 2025.

Estrutura da Organização e Alvos da Operação

A operação revelou uma preocupante infiltração no aparato estatal, com a participação de delegados e agentes da Polícia Federal (da ativa e aposentados).

Principais nomes citados no inquérito:

NúcleoPrincipais Integrantes e Funções
Comando / FinanceiroHenrique Vorcaro: Mandante e operador financeiro dos pagamentos ao grupo.
Operacional (“A Turma”)Marilson Roseno da Silva (PF aposentado): Líder das ações de campo; Manoel Mendes Rodrigues: Conexão com o jogo do bicho no RJ.
Tecnológico (“Os Meninos”)David Henrique Alves: Líder da célula hacker e ataques digitais.
Infiltração InstitucionalValéria Vieira Pereira da Silva (Delegada PF): Suspeita de vazar dados sigilosos de sistemas internos.

O Outro Lado

Em manifestações anteriores, a defesa de Henrique Vorcaro e de sua filha, Natália Vorcaro, afirmou que ambos atuaram estritamente dentro da legalidade e da boa-fé. Alegaram que a aquisição das terras e dos ativos de carbono foi respaldada por auditorias e documentos cartorários que atestavam a regularidade das áreas em Apuí, negando qualquer ciência ou participação em práticas fraudulentas ou criminosas.

A prisão de Henrique ocorreu em Nova Lima (MG), e a operação segue em andamento com o bloqueio de bens e afastamento de cargos públicos dos envolvidos.

Fonte: AGÊNCIA CENARIUM

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