
Redação – Às vésperas do Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho) e no mês do “Junho Verde”, o Brasil enfrenta um cenário alarmante de judicialização e denúncias ecológicas. Um levantamento inédito da plataforma jurídica Escavador revelou um salto impressionante de 868% no volume de processos ambientais no país em 2025, na comparação com o ano anterior.
O monitoramento, que acompanha 25 tipos de infrações — como desmatamento, garimpo ilegal, poluição, uso de agrotóxicos e irregularidades em reservas legais —, acendeu o sinal de alerta especialmente para os estados da Amazônia Legal.
O raio-X dos números: do pico em 2025 à retração em 2026
O avanço das ações judiciais e denúncias transformou o panorama da fiscalização no país de um ano para o outro:
- O salto: O Brasil saltou de modestos 37 mil processos em 2024 para um recorde de 367 mil em 2025.
- O ápice: O comportamento das infrações ganhou tração em maio de 2025 (superando 68 mil registros), mas atingiu o topo histórico em junho, com mais de 134 mil denúncias em um único mês.
- O alívio recente: Após um segundo semestre ainda aquecido em 2025, os primeiros cinco meses de 2026 apontam para um forte recuo. Entre janeiro e maio deste ano, foram registradas 21,9 mil ocorrências, um número consideravelmente menor do que as 90,8 mil computadas no mesmo intervalo do ano passado.
A pressão sobre o Norte e o topo do ranking nacional
Embora a região Sudeste lidere isolada em termos absolutos com mais de 403 mil processos (inflada por estados populosos e industrializados como Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro), a região Norte acumulou 18.495 denúncias no recorte temporal analisado (2023-2026).
Dentro do bioma amazônico, o território paraense desponta como o principal gargalo:
| Posição na Amazônia | Estado | Volume de Denúncias (2023-2026) |
| 1º | Pará | 7.974 |
| 2º | Amazonas | 4.335 |
| 3º | Rondônia | 3.090 |
| 4º | Acre | 928 |
| 5º | Tocantins | 924 |
| 6º | Roraima | 779 |
| 7º | Amapá | 465 |
Nota de destaque: No ranking nacional geral, o Pará já se posiciona como o quarto estado mais acionado judicialmente por questões ambientais, superado apenas por Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso. O Amazonas também garante vaga no incômodo “Top 10” do país.
Fiscalização eficiente ou avanço da degradação?
Para a coordenação jurídica e DPO da plataforma Escavador, Dalila Pinheiro, a forte oscilação nos dados exige uma análise cautelosa. Segundo a especialista, essa gangorra entre picos e quedas acentuadas reflete tanto a mudança na postura dos infratores quanto a oscilação na própria engrenagem de fiscalização do Estado.
Pinheiro aponta dois fatores principais para desenhar esse cenário:
Engajamento da Sociedade: O aumento expressivo dos registros não deve ser visto apenas pelo lado negativo. Ele também sinaliza que a sociedade civil e os órgãos públicos estão mais vigilantes, denunciando e monitorando ativamente os impactos à natureza.
Atividade Econômica vs. Sensibilidade Ecológica: A proximidade de complexos industriais e grandes obras de infraestrutura eleva drasticamente a pressão sobre os ecossistemas nativos.
Fonte: AGÊNCIA CENARIUM
