
Redação – O recente vazamento de áudios envolvendo o pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, já ecoa de forma direta na percepção do eleitorado brasileiro. De acordo com a nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta terça-feira (19), a maior parte dos entrevistados associa o esquema de fraudes financeiras da instituição financeira aos aliados do parlamentar fluminense.
O levantamento aponta que 43,3% dos eleitores ligam o caso ao grupo político de Bolsonaro, enquanto 32,8% atribuem a responsabilidade a aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para 16,1%, o envolvimento atinge ambos os lados de maneira igual, e 7,1% culpam exclusivamente o Centrão.

Detalhes Técnicos da Pesquisa
- Período de coleta: 13 a 18 de maio de 2026.
- Amostragem: 5.032 eleitores entrevistados.
- Margem de erro: 1 ponto percentual para mais ou para menos.
- Nível de confiança: 95%.
- Registro no TSE: BR-06939/2026 (investimento de R$ 75 mil em recursos próprios do instituto).
O Impacto das Revelações do Intercept Brasil
A crise reputacional começou no último dia 13, quando o portal Intercept Brasil revelou diálogos em que Flávio Bolsonaro cobra de Vorcaro um repasse de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões) para a produção de Dark Horse, uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Documentos indicam que ao menos US$ 10,6 milhões (aproximadamente R$ 61 milhões) foram efetivamente transferidos pelo banqueiro entre fevereiro e maio de 2025.
O assunto rapidamente se espalhou: 95,6% dos entrevistados afirmaram ter conhecimento do caso, e 93,9% disseram ter ouvido os áudios diretamente. No entanto, o fator surpresa foi baixo: 65,2% admitiram não terem se surpreendido com o teor das conversas.

Interpretação do Eleitorado sobre o Caso:
- Legitimidade: Para 54,9%, o vazamento decorre de investigações legítimas sobre fraudes; já 33% enxergam uma manobra de perseguição política contra Flávio.
- Culpa: 51,7% avaliam que os áudios provam o envolvimento direto do senador com o escândalo do Banco Master. Por outro lado, 33,3% defendem que a conversa reflete apenas uma busca legítima por patrocínio cultural.
- Futuro Político: Embora 45,1% avaliem que a denúncia fragilizou fortemente a pré-candidatura de Flávio, uma esmagadora maioria de 84,2% defende que ele deve insistir na disputa presidencial.
Divisão Regional da Culpa
A percepção sobre quem comanda as fraudes financeiras varia nitidamente pela geografia do país:
- Nordeste (52,8%) e Sudeste (44,4%): Apontam o grupo de Bolsonaro como principal culpado.
- Centro-Oeste (42,5%), Norte (37,6%) e Sul (37,2%): Atribuem a responsabilidade aos aliados da gestão petista.
Cenários Eleitorais: Lula Lidera e Flávio Sofre Queda no Segundo Turno
O desgaste de Flávio Bolsonaro consolidou a liderança do presidente Lula em todas as simulações de primeiro turno. O atual mandatário desponta com 47% das intenções de voto, contra 34,3% de Flávio. O restante do espectro político aparece fragmentado:
| Pré-candidato | Intenção de Voto (1º Turno) |
| Lula (PT) | 47,0% |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 34,3% |
| Renan Santos (Missão) | 6,9% |
| Romeu Zema (Novo) | 5,2% |
| Ronaldo Caiado (PSD) | 2,4% |
Em cenários alternativos testados pela AtlasIntel, Michelle Bolsonaro (PL) alcança 23,4% contra 47% de Lula. Sem um nome da família Bolsonaro na urna, Romeu Zema sobe para 17% e Ronaldo Caiado vai a 13,8%, com Lula mantendo a estabilidade na casa dos 46,7%.

A Virada no Segundo Turno
A maior mudança em relação aos levantamentos anteriores ocorreu nas projeções de segundo turno. Em abril, Flávio liderava numericamente contra o petista (47,8% a 47,5%). Agora, após o escândalo, o cenário se inverteu: Lula venceria o filho do ex-presidente por 48,9% a 41,8% — uma perda severa de cerca de seis pontos para o candidato do PL.
Lula também superaria uma eventual candidatura de Jair Bolsonaro (48,5% a 43,4%), de Romeu Zema (47,8% a 37,6%) e de Ronaldo Caiado (47,5% a 38,5%).
Rejeição e Avaliação do Governo Federal
Apesar da vantagem eleitoral de Lula, a avaliação da atual gestão federal segue em terreno desafiador: 51,3% desaprovam o governo, enquanto 47,4% aprovam. Na classificação por desempenho, o índice de “ruim/péssimo” bate em 48,4%, contra 42,9% de “ótimo/bom”.
A pesquisa também mediu os índices de rejeição e os temores do eleitorado para o próximo pleito:
O Sentimento de Medo: Quando questionados sobre qual desfecho nas urnas causaria maior receio, 47,4% dos entrevistados apontaram a eleição de Flávio Bolsonaro, enquanto 40,5% manifestaram mais temor em relação à reeleição de Lula.
Rejeição Máxima: Flávio Bolsonaro lidera o índice de “não votaria de jeito nenhum” com 52%, seguido de perto por Lula (50%) e Jair Bolsonaro (49,1%).
Fonte: AGÊNCIA CENARIUM
