
Redação – O Ministério Público Federal (MPF) abriu um inquérito civil para investigar a conduta de delegados e agentes da Polícia Federal (PF) lotados em Tabatinga, no interior do Amazonas. A suspeita é de que os policiais tenham sido omissos ao deixar de realizar diligências cruciais para a coleta de provas em um caso de narcotráfico na região de fronteira. A abertura do procedimento administrativo foi publicada na edição eletrônica do Diário do MPF desta segunda-feira, 1º de junho.
A apuração gira em torno da perda de registros visuais que poderiam identificar criminosos. Segundo o MPF, os agentes federais não agiram com a rapidez necessária para apreender e salvar as gravações das câmeras de segurança da embarcação F/B Maria Monteiro. O órgão aponta que a falta de agilidade comprometeu o acesso a uma prova considerada indispensável para o desfecho das investigações.

Apagão de provas na tríplice fronteira
O MPF busca entender se a perda das imagens decorreu de uma falha funcional dos servidores que coordenavam as primeiras etapas do caso. A situação é considerada delicada por envolver Tabatinga, cidade localizada no limite entre o Brasil, o Peru e a Colômbia. Por se tratar de um ponto geográfico crítico e rota consolidada do tráfico transnacional, o rigor no trabalho das forças federais de segurança é visto como estratégico.
Para piorar o impasse, o Ministério Público relatou barreiras impostas pela própria corporação policial para dar andamento ao caso. A Corregedoria Regional da PF barrou o compartilhamento de relatórios e dados administrativos que permitiriam avaliar o comportamento dos policiais envolvidos no episódio.
Disputa interna vai parar na Justiça
Em resposta à negativa de acesso aos dados, os procuradores federais acionaram o Judiciário com um mandado de segurança. O MPF tenta obter uma liminar que obrigue a Polícia Federal a liberar a documentação retida, sob o argumento de que o andamento da investigação depende desse material.

Por conta do travamento institucional e da espera pela decisão do juiz, o inquérito civil foi temporariamente suspenso (sobrestado) por 60 dias. O Ministério Público aguarda o posicionamento da Justiça para decidir os próximos passos da investigação sobre a conduta da PF na Amazônia.
Fonte: AGÊNCIA CENARIUM
