
Redação – Um desdobramento de uma grande investigação sobre o mercado ilegal de minérios resultou na prisão do policial civil Luciano Granjeiro nesta terça-feira (9), em Manaus. A captura aconteceu durante a Operação Piloto de Fuga, coordenada pela Polícia Federal (PF) em conjunto com o Ministério Público (MP), que apura um assalto cinematográfico de ouro ocorrido em outubro de 2025.
O espaço segue aberto para que a defesa do policial civil se manifeste.
A Estrutura da Organização Criminosa
De acordo com as autoridades, a operação atual é uma extensão da “Operação Auxílio Criminoso”, realizada no final de maio, cujo foco é desmantelar uma rede que une servidores públicos e civis no roubo e na ocultação de ouro extraído ilegalmente.
O delegado da Polícia Federal, Jonathans Simas, detalhou como o grupo se dividia para executar o crime:
- Núcleo de Agentes Públicos: Formado por policiais estaduais que utilizavam a estrutura do Estado para interceptar e tomar o ouro de forma violenta (prática conhecida como “arrocho”).
- Núcleo Civil: Responsável pela logística de transporte do minério e pela ocultação de provas — inclusive com a suspeita de participação de um advogado no esquema.
“Conseguimos identificar quem dirigia a viatura no dia do assalto e apreendemos documentos na residência de um advogado ligado ao grupo”, explicou o delegado Simas.
Rota do Minério Ilegal e Próximos Passos
As investigações apontam que o ouro saía do Pará, cruzava o Amazonas e seguia em direção a Roraima, de onde as autoridades suspeitam que seria exportado ilegalmente para o mercado internacional. Como parte das ações de hoje, equipes da PF cumpriram mandados no 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), local de lotação do agente preso.
O promotor de justiça Armando Gurgel destacou que o objetivo do Ministério Público é fechar o cerco contra a organização que protagonizou a maior apreensão de ouro já registrada no Amazonas. “Buscamos colher novos elementos para a completa apuração dos fatos, identificando possíveis outros participantes”, afirmou.
Os envolvidos na força-tarefa criminosa devem ser indiciados por:
- Roubo majorado;
- Associação criminosa;
- Fraude processual;
- Usurpação de bens da União.

Posicionamento Oficial
Em pronunciamento, a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) afirmou que está colaborando ativamente com a PF e que repudia qualquer desvio de conduta funcional de seus membros. O caso será enviado à Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança Pública para a abertura de um processo administrativo disciplinar.
Fonte: G1 Amazonas
