
Redação – Depois de enfrentar dois anos de estiagem extrema, o estado do Amazonas apresentou uma reação positiva em 2025: a sua superfície de água cresceu 87 mil hectares. Os dados foram publicados nesta terça-feira (16) pelo mapeamento do MapBiomas. Com esse resultado, o território amazonense garantiu a terceira posição entre os estados com maior expansão hídrica no Brasil, ficando atrás somente do Pará e de Goiás.
Esse avanço na cobertura hídrica — que engloba rios, lagos e reservatórios — foi impulsionado pelo retorno de volumes mais expressivos de chuva na comparação com o ano de 2024.
O cenário na Região Norte e no Brasil
Enquanto o Amazonas adicionou 87 mil hectares ao seu balanço, outros estados também se destacaram no topo do ranking nacional de recuperação:
- Pará: liderou o ganho com 142 mil hectares adicionais.
- Goiás: ocupou a segunda posição, somando 91 mil hectares.
Apesar do saldo positivo global na Amazônia, onde a cobertura de água superou a média histórica em 2,6%, a reestruturação não foi homogênea. O monitoramento revelou que, das 54 sub-bacias hidrográficas avaliadas na região, 20 ainda operam abaixo do padrão esperado.
Alerta climático e o impacto nas populações locais
De acordo com Ives Brandão, pesquisador do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), embora a Bacia Amazônica possua uma reserva hídrica monumental, ela está cada vez mais vulnerável às transformações do clima global.
“Considerando que a gente nota eventos cada vez mais frequentes e a gente nota instabilidade do regime hídrico influenciado por mudanças climáticas, é possível que a gente esteja suscetível a maiores secas”, pontuou Brandão.
O especialista ressalta que essa instabilidade atinge diretamente a vida das populações tradicionais. Cerca de 50% das comunidades ribeirinhas da região estão concentradas em um raio de até 50 quilômetros de distância das 12 principais artérias fluviais da Amazônia.
Barcelos na contramão: municípios ainda sofrem com retração
Mesmo com o balanço estadual positivo, a recuperação não chegou para todos. No interior do Amazonas, a cidade de Barcelos figurou na lista dos municípios brasileiros que mais perderam recursos hídricos em 2025. O município registrou um recuo de 65 mil hectares em sua superfície de água — uma baixa superior a 6% em relação ao seu histórico.
Essa realidade local reflete um panorama que ainda preocupa o país: 45% das cidades brasileiras (o equivalente a 2.511 municípios) fecharam o ano de 2025 com índices hídricos inferiores às suas médias históricas.
Retrospectiva nacional e tendência de queda a longo prazo
No fechamento de 2025, a superfície de água total do Brasil atingiu 18,2 milhões de hectares, o que representa uma alta de 5,3% frente aos 17,2 milhões aferidos em 2024. Todavia, o montante atual permanece abaixo da média histórica do país, estabelecida em 18,5 milhões de hectares.
O levantamento do MapBiomas reforça que o Brasil enfrenta um processo de desidratação gradual nas últimas quatro décadas:
| Período Analisado | Superfície de Água Média (Brasil) |
| 1985 – 1994 | 19,86 milhões de hectares |
| 2015 – 2024 | 17,28 –milhões de hectares |
Essa comparação histórica evidencia uma perda real de 2,6 milhões de hectares de espelho d’água entre a primeira e a última década avaliadas, sinalizando a necessidade contínua de atenção com os recursos hídricos nacionais.
Fonte: G1 Amazonas
